Resumo
Introdução: A artrite psoriásica (AP) é uma doença inflamatória crônica das articulações, frequentemente associada à psoríase cutânea. Sua progressão pode resultar em incapacidade física e mental, redução da produtividade laboral e piora da qualidade de vida. O tratamento envolve o uso de medicamentos modificadores do curso da doença (MMCD), tanto sintéticos biológicos quanto sintéticos alvo-específicos, para reduzir a atividade da doença. Além destes, glicocorticoides e anti-inflamatórios não esteroidais podem ser utilizados em qualquer fase do tratamento para controle sintomático. Objetivo: Avaliar o perfil de utilização e a persistência de MMCD biológicos (MMCDbio) e sintéticos alvo-específicos (MMCDsae) em pacientes com AP atendidos pelo SUS em Minas Gerais. Métodos: Estudo de coorte retrospectivo avaliando pacientes ≥18 anos com AP (CID-10 M07.0, M07.2, M07.3) atendidos pelo Componente Especializado da Assistência Farmacêutica de Minas Gerais e em uso de MMCDbio ou MMCDsae entre janeiro/2018 e maio/2023, com acompanhamento mínimo de 12 meses. Os dados foram obtidos do Sistema Integrado de Gerenciamento da Assistência Farmacêutica de Minas Gerias. Foram excluídos pacientes sem registro de dispensação. Analisaram-se o perfil de utilização de medicamentos por ano, bem como a persistência ao primeiro e segundo MMCDbio ou MMCDsae por até 48 meses. Resultados: Entre janeiro de 2018 e maio de 2023, foram aprovadas 3.878 solicitações de medicamentos para AP pela Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais, das quais 72,4% (2.807) corresponderam a MMCDbio ou MMCDsae. Após exclusões, 2.625 processos foram analisados, sendo 2.352 referentes ao primeiro medicamento e 273 ao segundo. A maior parte dos pacientes era do sexo feminino (57,6%), com idade média de 51,5 anos e índice de massa corporal médio de 28,1. Entre os primeiros medicamentos, o adalimumabe foi o mais solicitado, seguido por golimumabe e secuquinumabe. A média anual de dispensação desses medicamentos foi de 425. O secuquinumabe apresentou maior persistência entre 12 e 36 meses, seguido pelo adalimumabe e golimumabe. A troca medicamentosa ocorreu com maior frequência no etanercepte (18,0%), seguido pelo infliximabe (14,4%). Quanto ao segundo medicamento, o secuquinumabe foi o mais solicitado, e nos primeiros 12 meses de acompanhamento, o tofacitinibe apresentou 90% de persistência. Conclusões: A disponibilidade dos MMCDbio e MMCDsae no SUS representa uma importante ferramenta para a redução da atividade da doença e melhora da qualidade de vida em pacientes com AP que não respondem à primeira linha de tratamento. Este estudo evidencia a relevância dos dados administrativos do SUS para análises farmacoepidemiológicas e destaca a importância do conhecimento do perfil de prescrição para orientar a seleção, programação e aquisição desses medicamentos no país.

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