Resumo
Decrição de relato: O tratamento oncológico representa um dos maiores custos para os sistemas de saúde, exigindo estratégias que aliem eficácia clínica e racionalização de recursos. O farmacêutico é essencial no cuidado ao paciente oncológico, sendo responsável pela gestão, manipulação e acompanhamento dos medicamentos utilizados no tratamento1. A adoção de agendamento baseado no medicamento a ser infundido contribui para reduzir perdas, aumentar o aproveitamento de sobras e promover a sustentabilidade do serviço, com menor custo de antineoplásicos2. A farmacoeconomia na oncologia também se aplica ao uso racional do volume excedente ao rotulado nos frascos-ampola (overfill), reduzindo desperdícios e resíduos químicos3. Este relato apresenta a experiência de um serviço farmacêutico oncológico da saúde suplementar, com manipulação de antineoplásicos em três cidades brasileiras. O farmacêutico, atuando em conjunto com a equipe multiprofissional, contribui para o agendamento conforme o medicamento, otimizando o uso de insumos e reduzindo perdas. Além disso, participa da avaliação de segurança, exames laboratoriais, inspeção da bolsa manipulada e monitoramento de efeitos adversos. O agendamento inteligente permite programar a aquisição dos antineoplásicos considerando o overfill e o reaproveitamento. Em cinco meses, observou-se economia estimada de R$ 361.512,61, considerando ciclos de 21 dias e reaproveitamento de: Trastuzumabe 440 mg (Zedora): R$ 12.095,10 – 20% de overfill em 25 pacientes; Bevacizumabe 25 mg/mL (Elovie): R$ 41.130,20 – 22,5% em 11 pacientes; Nivolumabe 40 mg: R$ 150.226,51 – 10% em 11 pacientes; Pembrolizumabe 100 mg (Keytruda): R$ 158.060,80 – 17% em 8 pacientes. A estratégia de agendamento inteligente, aliada ao uso racional de overfill, é eficaz para otimizar recursos e garantir a sustentabilidade do serviço oncológico. O farmacêutico clínico é peça-chave na segurança, eficácia, avaliação laboratorial e acompanhamento terapêutico, promovendo assistência multiprofissional qualificada e viável financeiramente. A automação do processo com o sistema Tasy aumentou a segurança e a rastreabilidade, permitindo a validação técnica do reaproveitamento conforme critérios regulatórios4. O sistema ainda gera relatórios mensais que auxiliam na tomada de decisões clínicas e administrativas, incluindo a aquisição e o controle de estoque. A ferramenta de gestão de overfill permite registrar e monitorar o volume residual dos frascos-ampola, facilitando o rastreamento e o planejamento da manipulação e agendamento4,5.

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