Resumo
Introdução: O Telecuidado Farmacêutico consiste na prestação de serviços farmacêuticos clínicos de forma remota, através da utilização de tecnologias de informação e telecomunicações. Objetivo: O objetivo deste estudo foi avaliar o impacto de uma intervenção de telecuidado farmacêutico, em comparação ao atendimento padrão baseado exclusivamente na dispensação de medicamentos, no acompanhamento de indivíduos com diabetes mellitus tipo 2 (DM2). Métodos: Foi conduzido um estudo piloto, randomizado e não cego, com pacientes diagnosticados com DM2. Os participantes foram alocados eletronicamente em dois grupos: grupo controle, que recebeu apenas os cuidados habituais, e grupo intervenção, que participou de três teleconsultas farmacêuticas realizadas por telefone. Em ambos os grupos, foram aplicados questionários no início e após três meses para avaliar adesão ao tratamento, autocuidado em diabetes e qualidade de vida. O desfecho primário foi a variação da hemoglobina glicada (HbA1c), mensurada pelo aparelho Afinion AS100. Os desfechos secundários incluíram adesão ao tratamento, número de hospitalizações, idas ao pronto socorro, consultas médicas e problemas relacionados à farmacoterapia. Resultados: Foram elegíveis 133 pessoas que, após a aplicação dos critérios de inclusão, 47 foram randomizadas. Houve perda de seguimento de 14 pessoas, restando 33 pessoas incluídas. Foi elaborado um roteiro de teleconsulta e o tempo médio de atendimento foi de 20 minutos. Foram abordados aspectos farmacológicos e não farmacológicos, acesso e revisão da técnica de insulina. Não houve diferença significativa nas médias de hemoglobina glicada, questionário de autocuidado e qualidade de vida. O questionário de adesão indicou, para ambos os grupos, mudança na pontuação do domínio regime, com diferença de seis pontos entre a entrevista inicial e o contato final, sendo esta associação estatisticamente significativa (p=0,049 para o grupo intervenção e p=0,041 para o grupo de controle). Houve uma redução de 46% no número de problemas relacionados à farmacoterapia desde o início do estudo. Conclusões: A telefarmácia pode ser uma alternativa viável para o acompanhamento de pacientes com DM2, mas é necessário estabelecer seu impacto a longo prazo, uma vez que nossos resultados não são conclusivos devido ao tamanho da amostra. Neste estudo, identificamos uma melhora superficial na adesão ao tratamento, o que direciona e provém embasamento para futuras pesquisas.

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