PE-050 Selumetinibe e Neurofibromatose Tipo 1: Evidências de Mundo Real sobre a Carga da Doença e a Jornada do Paciente

Keywords

Neurofibromatose tipo 1;
Neurofibroma plexiforme;
Selumetinibe;
Acesso a medicamentos.

How to Cite

Marimon, P. S., Cossich, L. A., Ferreira, L. S. da S., de Jesus, L. M., Pinto, G. da C., dos Santos, N. C. K., Larangeira, G. H. T., & Ribeiro, M. G. (2026). PE-050 Selumetinibe e Neurofibromatose Tipo 1: Evidências de Mundo Real sobre a Carga da Doença e a Jornada do Paciente. JORNAL DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA E FARMACOECONOMIA, 11(s.4). https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00599

Abstract

Introdução (com objetivo): Introdução: A Neurofibromatose tipo 1 (NF1) é uma condição genética multissistêmica com prevalência estimada de 1 em 3.000 pessoas. Os neurofibromas plexiformes (NP), presentes em até 50% dos pacientes, são tumores benignos que crescem ao longo dos nervos, causando dor crônica, deformidades e prejuízos funcionais. O selumetinibe, um inibidor seletivo da MEK 1/2, representa um marco terapêutico por ser o primeiro medicamento aprovado para NPs inoperáveis em crianças, com redução de 89% no risco de progressão tumoral (HR 0,11) em estudos pivotais. No Brasil, entretanto, a incorporação no sistema público de saúde foi dificultada pela recomendação negativa da CONITEC. Essa barreira regulatória impõe desafios à assistência farmacêutica e restringe o acesso à judicialização, gerando atrasos no tratamento de alto custo. Diante deste cenário, a geração de evidências de mundo real é essencial para mapear a jornada do paciente e fundamentar o uso racional da tecnologia no país. Objetivos: Caracterizar o perfil clínico-epidemiológico de uma coorte pediátrica com NF1 e analisar as barreiras sistêmicas de acesso e os desfechos terapêuticos do selumetinibe no manejo de neurofibromas plexiformes. Material e Método: Estudo observacional transversal com 38 pacientes pediátricos diagnosticados com NF1. A coleta de dados ocorreu via questionários estruturados com cuidadores, abrangendo o fenótipo clínico, o impacto funcional da dor e o mapeamento cronológico da jornada de acesso ao selumetinibe. Analisaram-se os entraves logísticos e jurídicos do percurso entre prescrição e dispensação. Resultados: A amostra incluiu 38 participantes (60,5% masculinos) com mediana de idade de 8,8 anos (1,9 a 17,3). Quinze apresentavam histórico familiar de NF1. Clinicamente, 100% possuíam manchas café-com-leite, 92,1% efélides, 57,8% nódulos de Lisch e 28,9% neurofibromas cutâneos. Não houve registro de Tumores Malignos da Bainha do Nervo Periférico. Neurofibromas plexiformes (NP) foram identificados em 17 participantes (44,7%), localizados predominantemente em cabeça, tronco e membros inferiores. Nove participantes relataram dor e sete apresentaram prejuízos em atividades diárias. Incluindo dificuldade em manter a frequência escolar, impossibilidade de praticar educação física, dor intensa ao vestir-se, dispneia e incapacidade de mastigar alimentos duros. Casos críticos envolveram disfagia e indicações de traqueostomia. Oito participantes tiveram indicação para selumetinibe e precisaram recorrer a judicialização. Cinco participantes obtiveram acesso a medicação, com tempo médio para aprovação de 13,8 meses (variando de 5 a 21). A jornada foi marcada por morosidade burocrática, negativas judiciais seguidas de múltiplos recursos e falhas logísticas na entrega física do medicamento. Dois participantes ainda aguardam recebimento da medicação e um aguarda a aprovação. Os desfechos observados com o uso do selumetinibe incluíram regressão completa da dor, redução volumétrica tumoral e suspensão de indicações de traqueostomia. Conclusão: O uso de selumetinibe leva a benefícios clínicos consideráveis na redução da carga da doença e na preservação funcional, porém o acesso efetivo é comprometido por entraves sistêmicos e pela dependência da judicialização. A discrepância entre a indicação clínica e o longo tempo de espera evidencia a urgência de políticas públicas e fluxos administrativos mais ágeis, visando garantir o tratamento oportuno e mitigar danos irreversíveis aos pacientes com NF1.

https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00599%20
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