Abstract
Introdução (com objetivo): O câncer de pulmão de pequenas células (CPPC) representa 15% dos cânceres de pulmão, destacando-se pelo crescimento tumoral acelerado e progressão precoce para metástases. Existem lacunas em evidências científicas que limitam diretrizes para diagnóstico e manejo clínico no Brasil e globalmente. A revisão sistemática visou sintetizar desfechos do CPPC, incluindo epidemiologia, utilização de recursos, padrões de tratamento e de diagnóstico. Material e Método: Buscas bibliográficas abrangentes foram realizadas nas bases de dados PubMed, Cochrane Library, Embase e LILACS, da indexação até 11 de julho de 2025 (PROSPERO 2026 CRD420261372405)(1). Foram incluídos estudos avaliando desfechos de epidemiologia, custos, padrões de tratamento e diagnóstico do CPPC. A seleção dos estudos (triagem e análise do texto completo) e a extração de dados foram realizadas por dois revisores. O risco de viés foi avaliado de acordo com o desenho do estudo e sínteses qualitativas foram realizadas por categoria de desfecho. Não houve necessidade de aprovação ética pelo uso de dados secundários. Resultados: Trinta e quatro estudos foram incluídos, sendo 29 estudos observacionais; três revisões sistemáticas e duas análises econômicas. Os estudos observacionais apresentaram risco de viés baixo a moderado pela Escala de Newcastle-Ottawa (escores de 6-8); as avaliações econômicas mostraram adesão limitada à lista de verificação de Drummond (0-4 critérios atendidos); e as revisões sistemáticas, risco de viés alto (confiança criticamente baixa). Os estudos avaliaram desfechos econômicos (n=15 estudos); epidemiológicos (n=11); padrões de tratamento (n=5); e diagnósticos (n=3). Para o Brasil, quatro estudos descreveram apenas a epidemiologia do CPPC entre 2006 e 2020 (2), que representou 9-13% do câncer de pulmão no país. Globalmente, 80% foram diagnosticados em estágio avançado. Custos diretos do tratamento foram impulsionados principalmente por medicamentos (50,2%), cirurgia (38%) e quimioterapia (11,8%). A hospitalização representou 41-56% dos custos totais no primeiro ano após diagnóstico na França, Estados Unidos, Canadá e Reino Unido. Na Irlanda do Norte, radioterapia e quimioterapia representaram 48% dos custos. Na Austrália, os custos médios de diagnóstico e tratamento do CPPC em estágio limitado foram maiores do que no estágio extenso (USD 19.046 vs. USD 12.688; 2016), sendo mais onerosos no estágio IV (3). No padrão de tratamento, a quimioterapia em primeira linha foi a mais comum, administrada em mais de 50% dos pacientes nos Estados Unidos. Cerca de 18-37% receberam quimioterapia de segunda linha e menos de 3% realizaram cirurgia nos sistemas público e privado de saúde, principalmente lobectomia. Apenas um estudo relatou o uso de imunoterapia por 2,8% dos pacientes na República Tcheca (4). Desfechos diagnósticos incluíram tempo até o diagnóstico e estadiamento do tumor. Cerca de 57-86% foram diagnosticados em estágios avançados; e o tempo médio de atraso no diagnóstico foi de 34-57 dias após o início dos sintomas (5). Conclusões: Há uma lacuna de evidências sobre o CPPC, especialmente no Brasil. Os dados disponíveis são principalmente de custos diretos e estimativas de incidência. A quimioterapia é frequente e associada a custos elevados. A ausência de diagnóstico precoce impacta o prognóstico da doença e os custos associados, evidenciando uma necessidade médica não atendida de desenvolvimento de estratégias de detecção precoce.

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