Abstract
Introdução (com objetivo): As queimaduras representam um dos traumas mais graves e complexos, exigindo cuidados intensivos, prolongados e de alto custo para o sistema hospitalar (1). Este estudo analisa os custos diretos de pacientes grandes queimados sob a perspectiva do SUS, em um hospital terciário. O objetivo foi analisar os custos diretos assistenciais associados à internação de pacientes adultos com queimaduras graves no ano de 2024 em uma unidade hospitalar de alta complexidade, com ênfase em medicamentos, dispositivos invasivos e curativos de alto custo, considerando fatores clínicos como infecções e uso de dispositivos invasivos. Material e Método: Estudo observacional retrospectivo, com abordagem quantitativa e análise de dados secundários via prontuário eletrônico. Foram analisados os custos diretos durante a internação em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) considerando-se o preço de compra do registro de preços do sistema informatizado hospitalar. O horizonte temporal foi restrito ao período de internação (curto prazo), dispensando a aplicação de taxa de desconto. Os comparadores foram definidos pelo perfil de resistência bacteriana (com Bactérias Multirresistentes (BMR) vs. sem BMR), e Superfície Corporal Queimada (SCQ). A análise estatística foi descritiva (médias e frequências). Resultados: Foram incluídos 87 pacientes, 77,0% do sexo masculino, média de 43 anos. O tempo de internação foi em média, 26 dias em UTI e 33 dias no hospital. 31,0% foram a óbito, 52,9% tiveram alta, e 16,1% foram transferidos. O valor total foi de R$1.029.180,58, sendo R$94.921,70 em curativos, R$913.900,43 em medicamentos (R$326.389,42 para sedoanalgesia, R$321.398,07 para antimicrobianos, e R$266.112,94 para o restante), e R$20.358,45 em dispositivos. Foram encontradas BMR em 40 pacientes , 75,5% eram do sexo masculino, com média de 44,3 anos. Permaneceram internados, em média, 37 dias em UTI e 42,9 dias no hospital. 50,0% foram a óbito, 35,0% tiveram alta, e 15,0% foram transferidos. O valor total foi de R$755.926,74, sendo R$14.837,72 em curativos, R$730.183,46 em medicamentos (R$258.822,84 para sedoanalgesia, R$294.757,04 para antimicrobianos, e R$176.603,58 para o restante), e R$10.905,56 em dispositivos. Os antimicrobianos com maior custo foram Ceftazidima+Avibactam e Meropenem. As bactérias mais prevalentes foram Acinetobacter baumannii e Enterobacterales ambas resistentes a Carbapenêmicos. Dos 47 pacientes sem BMR, 80,9% eram do sexo masculino, com média de 42 anos. Permaneceram internados, em média, 17 dias em UTI e 25 dias no hospital. 14,9% foram a óbito, 68,1% receberam alta, e 14,0% foram transferidos. O valor total foi de R$273.253,84, sendo R$80.083,98 em curativos, R$183.716,97 em medicamentos (R$67.566,58 para sedoanalgesia, R$26.641,03 para antimicrobianos, e R$89.509,36 para o restante), e R$9.452,89 em dispositivos. O custo médio diário em UTI aumentou conforme a faixa de SCQ: R$265,64 (≤20%), R$349,52 (21–40%) e R$736,15 (>40%). Conclusões: O subgrupo de pacientes com BMR apresentou piores desfechos clínicos e econômicos, com maior tempo de internação, maior letalidade e concentração de cerca de 73% dos custos totais da amostra. Adicionalmente, o custo diário em UTI quase triplicou em pacientes com SCQ >40%. O monitoramento desses indicadores é fundamental para otimizar o planejamento orçamentário no SUS.

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