Abstract
Introdução: A esteato-hepatite associada à disfunção metabólica (EHADM) é uma doença hepática crônica e progressiva, caracterizada por esteatose, inflamação lobular e balonização hepatocelular, podendo evoluir para fibrose avançada e cirrose. Estima-se que a EHADM afete 5,3% da população adulta global. Recentemente, o primeiro medicamento para o tratamento de EHADM com fibrose, resmetirom, foi aprovado pelo FDA com resultados promissores para os pacientes. Objetivo: Analisar a custo-efetividade do resmetirom em comparação ao placebo no tratamento da esteato-hepatite associada à disfunção metabólica (EHADM) com fibrose hepática no Brasil. Métodos: Um modelo de Markov com horizonte temporal de 20 anos e ciclos anuais foi criado em TreeAge Pro 2009. O resmetirom foi comparado ao cuidado-padrão pela perspectiva do sistema de saúde. A coorte hipotética incluiu pacientes com EHADM nos estágios F0 a F4. Os pacientes poderiam fazer uso do medicamento caso estivessem em estágio F2-F3. As transições entre estados de saúde, probabilidades de eventos clínicos e dados de efetividade foram obtidos de estudos internacionais. Custos diretos foram estimados com base em fontes nacionais e ajustados por paridade de poder de compra para USD 2024. Os desfechos foram expressos em anos de vida ajustados por qualidade (QALYs). Aplicou-se taxa de desconto anual de 5% para custos e desfechos. Realizaram-se análises de sensibilidade determinística univariada e probabilística com 1.000 interações. Resultados: A estratégia com resmetirom apresentou custo acumulado de US$263.157 e efetividade de 6,94 QALY, frente a US$143.033 e 5,86 QALY do cuidado-padrão. Com isso, observou-se razão de custo-efetividade incremental (RCEI) de 111.252 US$/QALY. Este valor supera os limiares de custo-efetividade comumente utilizados no Brasil e em contextos internacionais. Na análise de sensibilidade determinística, os parâmetros com maior influência na RCEI foram o custo do resmetirom, a taxa de desconto e a diferença de risco atribuída ao tratamento. A análise probabilística indicou robustez dos resultados, com o resmetirom sendo consistentemente mais caro e mais efetivo. A distribuição dos RCEI variou entre 53.279 e 209.016 PPP-USD/QALY, com mediana de 122.951 PPP-USD/QALY. Conclusões: O resmetirom apresenta benefício incremental no manejo da EHADM com fibrose F2–F3, mas sua razão de custo-efetividade incremental excede os limiares usualmente considerados aceitáveis no Brasil. Uma redução de preço é necessária para que a sua incorporação seja considerada viável no país.

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