Abstract
Introdução: A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma enfermidade respiratória progressiva, caracterizada por limitação persistente ao fluxo aéreo, frequentemente associada a uma resposta inflamatória crônica a partículas ou gases nocivos, como a fumaça do tabaco. Trata-se de uma das principais causas de morbidade e mortalidade no mundo, com impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes e nos sistemas de saúde. O tratamento medicamentoso da DPOC inclui o uso de broncodilatadores de ação prolongada, como os antimuscarínicos de longa duração (LAMA), que promovem melhora dos sintomas, redução das exacerbações e melhora da função pulmonar. O brometo de tiotrópio, principal representante da classe LAMA, atua bloqueando competitivamente os receptores muscarínicos M3 nas vias aéreas, promovendo broncodilatação sustentada. Na Paraíba, o brometo de tiotrópio é disponibilizado gratuitamente por meio da Assistência Farmacêutica Estadual, com financiamento custeado integralmente pelo Tesouro Estadual. Objetivo: Caracterizar o perfil demográfico e terapêutico dos pacientes com DPOC em uso de brometo de tiotrópio fornecido pela Assistência Farmacêutica Estadual da Paraíba. Métodos: Estudo descritivo, retrospectivo e exploratório, baseado na análise dos dados da Assistência Farmacêutica Estadual referentes ao período de janeiro de 2022 a dezembro de 2024. Foram incluídos pacientes com diagnóstico confirmado de DPOC, residentes nos municípios da Paraíba, que receberam o brometo de tiotrópio por meio da rede pública estadual. Resultados: Durante o período analisado, foram identificados 2.505 pacientes em uso de brometo de tiotrópio fornecido pela Assistência Farmacêutica Estadual da Paraíba. A distribuição por sexo revelou 53,77% (n=1.346) de usuários do sexo feminino e 46,23% (n=1.159) do sexo masculino, com uma média de idade de 70,08 anos, o que reforça a predominância da DPOC em indivíduos idosos.A 1ª Região de Saúde do estado concentrou 1.037 pacientes, correspondendo a aproximadamente 41,39% do total de usuários, o que evidencia a maior demanda nas regiões metropolitanas e urbanas, especialmente em municípios como João Pessoa e entorno.No que se refere à dispensação do medicamento, foram fornecidas 13.237 unidades em 2022, 15.609 unidades em 2023 e 12.841 unidades em 2024, totalizando 41.687 unidades ao longo de três anos. O custo total com a aquisição do brometo de tiotrópio nesse período foi de R$ 10.268.333,83, sendo R$ 3.035.785,81 em 2022, R$ 3.989.882,45 em 2023 e R$ 3.242.665,57 em 2024 — valores integralmente custeados pelo Tesouro Estadual. Conclusões: A análise dos dados permite traçar um panorama do uso de brometo de tiotrópio na Paraíba, revelando o perfil dos usuários e os municípios com maior demanda. Esses dados contribuem para a gestão eficiente da Assistência Farmacêutica, evidenciando a importância do monitoramento e do uso racional dos medicamentos destinados ao tratamento da DPOC. O fortalecimento das ações de vigilância e a adoção de estratégias baseadas em evidências são essenciais para garantir a sustentabilidade do cuidado e a efetividade terapêutica no SUS estadual.

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