Abstract
Descrição do relato: As leishmanioses são um importante problema de saúde pública, estando associadas a pobreza e fatores ambientais e climáticos. São causadas por diferentes espécies de protozoários do gênero Leishmania, que são transmitidos a animais e humanos pela picada de insetos fêmeas de flebotomíneos. No Brasil, há atualmente dois tipos de leishmanioses, a tegumentar (LT) e a visceral (LV), cada uma transmitida por um protozoário diferente. A LT tem circulação maior em ambientes rurais, de mata, não é letal e está relacionada ao surgimento de lesões na pele ou mucosa. Já a LV, se não tratada adequadamente, pode ser letal ao ser humano e para os cães, acometendo fígado, baço e medula óssea (1-3). Em Mato Grosso do Sul (MS), nos últimos 10 anos foram registrados 829 casos novos de LT e 858 de LV (4, 5). Objetivos: O objetivo deste trabalho foi demonstrar o papel da intervenção farmacêutica da Secretaria de Estado de Saúde de MS nas solicitações de tratamentos medicamentosos para as leishmanioses, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Métodos: Foram analisadas as solicitações dos municípios de MS do ano de 2024 para o tratamento das leishmanioses, bem como as intervenções realizadas pela Assistência Farmacêutica (AF) estadual. Neste contexto, foram consideradas intervenções, as ações de contato com os responsáveis pelas solicitações e sugestões realizadas pela AF após avaliação dos pedidos, considerando os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) vigentes. Após a obtenção dos dados, realizou-se análise estatística. Resultados: Durante o ano de 2024, foram registradas 629 solicitações de tratamento para leishmanioses, sendo 81% (510) para LV e 19% (119) para LT. Das 629 solicitações de tratamento, 54 (8,6%) demandaram intervenções por parte da AF. Os principais motivos de intervenção foram: detecção de prescrições ultrapassando a dose máxima preconizada pelos PCDTs vigentes (50%), necessidade de alteração do tratamento prescrito frente a inelegibilidade do paciente (18,5%), divergências nas informações prestadas no ato da solicitação (18,5%), solicitação de parecer do Ministério da Saúde em casos excepcionais (7,4%) e a possibilidade de otimização de doses (5,6%). Analisando as intervenções por tipo de leishmaniose, para a LT as principais intervenções foram com relação a necessidade de alteração do tratamento prescrito (43,75%) e para LV a maioria das ações ocorreu após a verificação de prescrições ultrapassando a dose máxima preconizada (57,9%). Conclusão: Esses dados evidenciam a importância da atuação da assistência farmacêutica na garantia da conformidade com os protocolos estabelecidos, garantindo maior segurança para o paciente, eficácia no tratamento e a otimização de recursos terapêuticos disponíveis no SUS. Além disso, reforçam a necessidade de contínua capacitação dos profissionais envolvidos na prescrição, solicitação e dispensação dos medicamentos para leishmanioses.

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Copyright (c) 2026 Milena Sonshine de Souza, Caroline Silva Garcia, Magda Lissi Pablos Peres, Fabíola Schiavi de Melo dos Santos, Nathália Silva Dantas Pelliccioni

