Abstract
Introdução: A parcela da população idosa (≥ 60 anos, no Brasil) vem crescendo de forma expressiva nas últimas décadas. Esse aumento pode levar à maior prevalência de doenças crônicas e de polifarmácia (≥ 5 medicamentos de uso concomitante), exigindo atenção especial no manejo farmacoterapêutico. Poucos estudos demonstram a prevalência de sintomas relacionados ao uso de Medicamentos Potencialmente Inapropriados (MPI) e de Interações Medicamentosas (IM) em pessoas idosas em situação de polifarmácia (PIeP). Objetivo: Avaliar os possíveis sintomas relacionados às IM e ao uso de MPI em PIeP residentes em uma Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI). Métodos: Etapa inicial de estudo longitudinal, quase-experimental (CAEE: 85402724.4.0000.5336), realizado com moradores em polifarmácia de uma ILPI. A análise dos MPI e seus possíveis sintomas foi baseada nos Critérios de Beers 2023, enquanto as IM e seus possíveis sintomas foram verificadas no site Drugs.com. Os dados foram coletados via Google Forms, organizados em Excel e analisados com estatística descritiva. Os sintomas foram questionados em entrevistas com os moradores. Resultados: Foram avaliadas prescrições médicas de 121 moradores, dos quais 119 eram PIeP. A média de idade dos participantes foi de 79,5 anos, com variação entre 62 e 105 anos, sendo a maioria do sexo feminino (85%). A média de medicamentos por morador foi de 12,7. Pelo menos um MPI foi identificado em 97,5% das prescrições e 98,3% apresentaram ao menos uma IM. Foram encontradas no total 1629 IM. O máximo de interações encontradas por morador foram: 14 maiores, 65 moderadas e 13 menores. Foram encontrados 89 MPI com qualidade da evidência alta e recomendação forte (máximo de 2 por morador) e 316 MPI com evidência moderada e recomendação forte (máximo de 7 por morador). MPI com maior prevalência foram: quetiapina, anlodipina, omeprazol, fluoxetina e sertralina. Dos moradores em polifarmácia, foram realizadas 46 entrevistas: 15 idosos haviam falecido, 51 apresentavam comprometimento cognitivo severo, que impossibilitou a observação sintomatológica, e 7 recusaram-se a participar da entrevista. Os sintomas mais relatados na entrevista foram: perda de urina (60,9%), dor muscular (58,7%), xerostomia (boca seca) (48,8%), distúrbios do sono (41,3%) e constipação intestinal (40%). Conclusões: O estudo evidenciou uma alta prevalência do uso de MPI e de IM entre PIeP residentes em uma ILPI. Os sintomas relatados nas entrevistas sugerem possível correlação com esses medicamentos e suas interações. Esses achados ressaltam a necessidade de uma assistência farmacêutica adequada ao manejo farmacoterapêutico principalmente em pessoas idosas institucionalizadas em situação de polifarmácia, com foco na revisão periódica de prescrições, uso criterioso de medicamentos e monitoramento constante dos efeitos adversos, a fim de promover maior segurança e o uso racional de medicamentos nessa população vulnerável.

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