Abstract
Introdução: A resistência aos antimicrobianos (RAM) representa uma das maiores ameaças à saúde pública global, associada ao aumento da morbimortalidade e dos custos assistenciais (OMS, 2015). No Brasil, o Plano Nacional de Prevenção e Controle da RAM (PAN-BR), coordenado pela ANVISA (2020), enfatiza a vigilância ativa e o uso racional de antimicrobianos, tanto em ambiente hospitalar quanto ambulatorial. O farmacêutico desempenha papel central no monitoramento clínico e educativo, contribuindo para a otimização terapêutica e preservação da efetividade desses fármacos. O emprego de agentes de amplo espectro, comum em condutas empíricas ou diante de incerteza diagnóstica, favorece a seleção de microrganismos multirresistentes e o aumento das infecções associadas à assistência à saúde (Kanj & Kanafani, 2011). Diretrizes internacionais de stewardship recomendam revisão periódica e Objetivo: Analisar o perfil de dispensação de antibióticos e aspectos farmacoeconômicos no ambulatório do Hospital Geral do Estado Professor Osvaldo Brandão Vilela (HGE), no período de Janeiro a Junho de 2024. Métodos: Estudo descritivo, retrospectivo e quantitativo, realizado no HGE, principal unidade de urgência e emergência de Alagoas, com 316 leitos e taxa de ocupação de 97,49% no período analisado. Os dados foram obtidos de planilha eletrônica de controle da farmácia da UTI, contendo informações sobre gênero, antibiótico prescrito, posologia, duração e desfecho clínico. Não houve acesso a prontuários. Resultados: Foram avaliados 677 pacientes únicos, predominando o sexo masculino (62,04%). O maior volume de atendimentos ocorreu em março (n=157) e o menor em abril (n=123). A mortalidade mensal variou de 7,04% a 10,57%, com pico em abril. A Ceftriaxona 1g foi o antimicrobiano mais prescrito (41,81%–53,01%), seguida por Piperacilina+Tazobactam, Meropenem, Moxifloxacino e Vancomicina. A Piperacilina+Tazobactam apresentou impacto expressivo no custo total, atingindo R$13.565,60 em Março. O custo médio por paciente variou de R$159,94 (Janeiro) a R$283,15 (Abril), com custo máximo individual de R$2.939,47. O desfecho “Fim de Tratamento” aumentou ao longo do semestre (50,82% a 58,45%), enquanto “Suspensão” variou de 2,19% a 9,42% e “Troca” de 4,74% a 9,05%. Conclusões: O predomínio de Ceftriaxona, um agente de amplo espectro, e a relevância de outros antimicrobianos de alto custo reforçam a necessidade de estratégias robustas de stewardship no ambulatório do HGE. As variações nos custos e nas taxas de suspensão/troca de antibióticos indicam oportunidades para otimização terapêutica e gestão mais eficiente dos recursos. Os achados fornecem subsídios para políticas institucionais voltadas ao uso racional de antimicrobianos, contribuindo para a redução da RAM e a preservação da eficácia terapêutica.

This work is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Copyright (c) 2026 Thays Sousa Fontes, Antônio Thomás da Silva, Lindon Johoson Diniz Silveira, Júlio Henrique Rodrigues Gomes, Amanda Maria Paixão Soares, João Batista dos Santos Neto, Julia Santos Gomes, Larissa da Costa Oliveira Bispo

