Resumo
Introdução: A tuberculose (TB) continua sendo um relevante problema de saúde pública no Brasil. O país estabeleceu como meta eliminar a doença até 2030, em alinhamento com as diretrizes da Organização das Nações Unidas e de forma antecipada à meta da Organização Mundial da Saúde, que prevê a eliminação até 2035 [1]. A cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, apresenta variações na incidência da doença em diferentes regiões populacionais. Desse modo, avaliar o comportamento da TB em diferentes locais do município auxilia na identificação de áreas de maior vulnerabilidade, o que pode contribuir para o direcionamento de estratégias de prevenção e controle epidemiológico. Objetivo: Analisar a distribuição de casos de TB nas regiões administrativas do município de Santa Maria, no período de 2020 a 2024, identificando a maior concentração de casos e a influência regional no panorama geral da doença. Métodos: Foi realizado um estudo observacional descritivo, com abordagem quantitativa, a partir do número de casos de TB registrados em Santa Maria entre 2020 e 2024. Os dados foram fornecidos pelo Setor de Tuberculose da Unidade de Saúde José Erasmo Crossetti. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), parecer nº CAAE 44993020.0.0000.5346. Após a identificação da região administrativa com maior número de casos, aplicou-se a correlação de Pearson, com o auxílio do software GraphPad Prism, versão 8. Resultados: No período analisado, foram registrados 659 casos de TB, com a maior incidência observada em 2024 (n = 152; 23,22%). A região administrativa com o maior número acumulado de casos foi a Oeste (n = 144; 21,85%), enquanto a menor ocorrência foi registrada na região Leste (n = 18; 2,73%). Observou-se uma correlação positiva muito forte entre o número de casos confirmados na região Oeste e o total de casos no município (r = 0.80), sugerindo uma possível influência dessa região no contexto epidemiológico local. Discussão e Considerações Finais: O destaque da região Oeste em relação às demais pode ser, ao menos em parte, atribuído ao número expressivo de casos registrados em uma unidade do sistema prisional localizada na região. Sabe-se que pessoas privadas de liberdade estão entre os grupos mais vulneráveis a doenças infecciosas [2] e, considerando a recorrente superlotação dos presídios brasileiros, aliada às condições estruturais frequentemente precárias, a disseminação de doenças respiratórias como a TB tende a se agravar nesse contexto [3]. Além disso, observou-se que a região Oeste apresenta um percentual 4% menor de pessoas com rendimentos em comparação à região Leste [4, 5], que registrou o menor número de casos no período analisado. Dessa forma, o cenário socioeconômico pode ser um fator relevante para os dados observados, considerando que o acesso à educação e a autopercepção de saúde estão diretamente relacionados às condições financeiras da população. Assim sendo, os resultados aqui apresentados contribuem para a compreensão da dinâmica regional da Tuberculose e podem fortalecer estratégias de vigilância, alinhadas aos esforços nacionais e globais de eliminação da doença.

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