ID-36 Atuação do Farmacêutico em Auriculoterapia na Atenção Primária à Saúde

Palavras-chave

Práticas Integrativas e Complementares; Saúde Coletiva; Farmacêuticos

Como Citar

Madalozzo, L. (2026). ID-36 Atuação do Farmacêutico em Auriculoterapia na Atenção Primária à Saúde. JORNAL DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA E FARMACOECONOMIA, 11(s.3). https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00477

Resumo

Introdução: As Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) vêm sendo progressivamente incorporadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando o escopo das ações na Atenção Primária à Saúde (APS). Nesse contexto, a auriculoterapia destaca-se como intervenção de baixo custo e fácil aplicabilidade, apresentando evidências promissoras na promoção da saúde e na prevenção de agravos. A atuação do farmacêutico nesta prática potencializa a integralidade do cuidado, fortalece o vínculo com a comunidade e estimula o autocuidado, alinhando-se às diretrizes de humanização do SUS. Objetivo: Este estudo teve como objetivo demonstrar como a auriculoterapia, realizada por farmacêutico na APS, contribui para o fortalecimento do vínculo profissional-paciente, promovendo um atendimento humanizado, além de evidenciar a eficácia da prática no controle de sintomas de ansiedade e insônia. Métodos: O trabalho foi desenvolvido durante o ano de 2024, na Unidade Básica de Saúde de Mato Castelhano. Foram incluídos pacientes de diversas faixas etárias, atendidos por encaminhamento de outros profissionais de saúde, indicação de demais pacientes ou procura espontânea. O atendimento foi individual, mediante agendamento prévio, em consultório exclusivo. Na primeira consulta, realizou-se anamnese detalhada e avaliação clínica global do paciente, considerando sintomas relatados, comorbidades, histórico de alergias e uso de medicamentos. Com base nessa avaliação, elaborou-se um protocolo individualizado para a seleção dos pontos auriculares a serem estimulados, seguindo-se a aplicação da auriculoterapia. O paciente foi informado de que a prática não substitui o tratamento convencional e foi recomendado um mínimo de cinco sessões consecutivas, com intervalos de sete a dez dias. Resultados: No período analisado, foram realizadas 576 sessões de auriculoterapia, sendo 522 (90,6%) em pacientes do sexo feminino. Das sessões totais, 83 (14,4%) corresponderam a primeiras consultas e 493 (85,6%) a sessões de retorno, incluindo pacientes que iniciaram o tratamento em 2023 e mantiveram espaçamento médio de 20 a 30 dias entre as sessões. Estima-se que cada paciente tenha realizado, em média, de 5 a 7 sessões ao longo do período, evidenciando boa adesão à prática. Observou-se ainda que cerca de 25 das primeiras consultas foram encaminhadas por profissionais da equipe multiprofissional (nutricionistas, fonoaudiólogos, enfermeiros e médicos), demonstrando a integração da auriculoterapia no fluxo de trabalho da APS. Discussão e Considerações Finais: Os relatos espontâneos de melhora clínica, aliados à alta taxa de comparecimento (superior a 80%), sugerem benefícios terapêuticos percebidos, reforçando a auriculoterapia como prática integrativa eficaz e de fácil implementação. Contudo, ressalta-se a necessidade de mais estudos controlados para consolidar a base científica da prática e ampliar sua inserção nas políticas públicas de saúde. Conclui-se que a auriculoterapia realizada por farmacêuticos constitui uma ferramenta importante no cuidado integral ao paciente. Porém, é necessário ampliar os espaços de formação profissional adequada nessa área para consolidar atuação nas PICS.

https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00477
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