ID-34 Mineradores Gaúchos Expostos a Silício Urinário: um estudo da nefrotoxicidade

Palavras-chave

Mineração; Toxicologia ocupacional; Sílica cristalina

Como Citar

Arend, I. D. A., Flesch, I., Augsten, L. V., Viçozzi, G. P., Conte, F. M., Arbo, M. D., & Garcia, S. C. (2026). ID-34 Mineradores Gaúchos Expostos a Silício Urinário: um estudo da nefrotoxicidade. JORNAL DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA E FARMACOECONOMIA, 11(s.3). https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00475

Resumo

Introdução:  A mineração é uma atividade de grande relevância no Brasil, tanto pelo volume de produção quanto pelo número de trabalhadores expostos a agentes ocupacionais de risco, como a sílica cristalina respirável, presente em rochas e poeiras minerais. A inalação crônica dessas partículas pode causar doenças pulmonares graves, como a silicose, e afetar outros órgãos, como os rins, sugerindo possível nefrotoxicidade. Objetivo: Avaliar preliminarmente se há alterações laboratoriais na função renal de mineradores expostos cronicamente à sílica cristalina.  Métodos: Aprovado pelo CAAE da UFRGS (nº 53706121.6.1001.5347), o estudo incluiu 13 mineradores expostos à sílica e 13 trabalhadores não expostos. Amostras de sangue e urina foram coletadas para análise laboratorial, incluindo quantificação de dióxido de silício por espectrometria de emissão óptica de plasma indutivamente acoplado (ICP-OES). Foram avaliados biomarcadores de função renal, como creatinina sérica e microalbuminúria urinária, utilizando analisador bioquímico semi-automático (BS-120 Mindray). Os resultados foram comparados entre os grupos e com valores de referência. Resultados e Conclusões: Mineradores expostos à sílica apresentaram aumento significativo de microalbuminúria urinária (corrigida por g/creatinina) e creatinina sérica, embora abaixo dos valores de referência, sugerindo danos glomerulares precoces. Participantes com alterações bioquímicas relacionadas a doenças metabólicas (ex.: hemoglobina glicada, dados não mostrados) foram excluídos. Observou-se também redução significativa do silício urinário nos expostos, levantando hipóteses sobre possível absorção direta da sílica em nanoescala ou alteração nos mecanismos de excreção renal, considerando a lacuna no conhecimento sobre a toxicodinâmica da sílica cristalina em tecidos além do pulmão. Vale destacar que alimentos comuns na dieta também contêm silício (queijos, aveia, água mineral), o que pode interferir na avaliação. Conclui-se que a exposição ocupacional crônica à sílica cristalina pode contribuir para alterações renais, com potencial papel nefrotóxico. Também que estes são dados preliminares e que o número de mineradores expostos deve ser aumentado para comprovar estas hipóteses.

https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00475
Creative Commons License
Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.

Copyright (c) 2026 Isadora De Andrade Arend, Ingrid Flesch, Lucas Volnei Augsten, Gabriel Pedroso Viçozzi, Fernanda Mocellin Conte, Marcelo Dutra Arbo, Solange Cristina Garcia