Resumo
Introdução: A ototoxicidade é o efeito adverso após o uso de alguns medicamentos que causam danos colaterais ao ouvido, podendo gerar perdas auditivas, zumbido e distúrbios do equilíbrio. Corroborando com a evidência prescrita desses efeitos, há a necessidade de controlar a incidência, os sintomas e os princípios ativos que os desencadeiam através de plataformas que favoreçam as notificações em saúde. Atualmente, são identificados mais de 200 medicamentos com efeitos ototóxicos, sendo o órgão da audição (cóclea) o mais comumente afetado. Esses efeitos podem variar entre alterações reversíveis ou permanentes, representando um risco importante para populações vulneráveis aos seus efeitos. Objetivo: Analisar a importância da plataforma VigiMed como ferramenta de notificação de eventos medicamentosos adversos, com enfoque no monitoramento dos efeitos ototóxicos. Métodos: Este estudo trata-se de uma análise descritiva a partir de uma abordagem qualitativa, realizada através do levantamento de notificações, disponíveis no sistema de registros, disponibilizado pela Anvisa: VigiMed. Foram realizadas buscas a partir de registros de suspeita de eventos adversos relacionados a medicamentos com potencial ototóxico, como aminoglicosídeos e quimioterápicos, no período de 12/2018 à 01/2025. Resultados: No período de análise, foram registradas 29 notificações relacionadas à ototoxicidade. O medicamento mais citado foi a amicacina, com 10 notificações, seguida por meropenem (4) e cisplatina (3). Esses fármacos também se destacaram em relação aos princípios ativos com mais notificações de efeitos adversos ototóxicos, com amicacina possuindo 6 registros, cisplatina com 5 e meropenem com 4. Outros medicamentos também foram citados, embora em menor número, como levofloxacino e polimixina, indicando uma possível subnotificação sobre esse tipo de reação adversa. Discussão e Considerações Finais: Os dados notificados confirmam a literatura científica em relação aos efeitos ototóxicos de fármacos comumente utilizados pela população, como amicacina e meropenem, que são fortemente associados a efeitos ototóxicos. Apesar disso, a ototoxicidade não está restrita a uma única classe terapêutica, exigindo maior divulgação teórico-científica, visto que o número reduzido de notificações, 29 no período solicitado, sinaliza a pouca disseminação do canal. Nesse sentido, a falta de conhecimento sobre a ampliação da farmacovigilância entre cidadãos, profissionais de saúde, detentores de registro de medicamentos e patrocinadores de estudos limita a dimensão das adversidades farmacológicas existentes na indústria. Destaca-se, portanto, a importância do incentivo ao registro consciente dos efeitos farmacológicos adversos em plataformas de notificação, a fim de fortalecer o monitoramento adequado, especialmente à ototoxicidade, possibilitando o fomento de pesquisas científicas e o controle epidemiológico desses efeitos.

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