ID-48 Leptospirose nas Águas da Catástrofe: o RS em emergência sanitária

Palavras-chave

Leptospirose; Saúde Pública; Uso Racional de Medicamentos

Como Citar

Munareto, D. H., Cargnin, M., de Lima, T. C., & Pinto, R. S. (2026). ID-48 Leptospirose nas Águas da Catástrofe: o RS em emergência sanitária. JORNAL DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA E FARMACOECONOMIA, 11(s.3). https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00487

Resumo

Instituição: As inundações ocorridas entre abril e maio de 2024 no Rio Grande do Sul afetaram mais de 90% do estado, resultando em milhares de pessoas deslocadas e mais de 180 mortes. Nesse cenário, o risco de infecções como a leptospirose aumenta significativamente, devido à associação da doença com fatores ambientais. Causada por bactérias do gênero Leptospira, a infecção ocorre principalmente pelo contato com água ou solo contaminados por urina de animais infectados, sendo favorecida em situações de enchentes. Diante disso, a quimioprofilaxia, medida que utiliza medicamentos para reduzir o risco de infecção da doença, foi recomendada na exposição populacional conforme orientado em Nota Técnica da Secretaria Estadual da Saúde (SES/RS) e da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). Objetivo: Analisar a situação da leptospirose no RS durante as enchentes de 2024, com ênfase nas estratégias de quimioprofilaxia adotadas e seu alinhamento com diretrizes nacionais e internacionais. Métodos: Trata-se de um estudo descritivo, qualitativo, com análise documental. A pesquisa foi realizada através da coleta, organização e interpretação de documentos oficiais relacionados à quimioprofilaxia da leptospirose no contexto das enchentes. Foram analisados seis documentos, entre eles duas notas técnicas emitidas pela Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul (SES-RS) e uma pelo Ministério da Saúde, entre abril e novembro de 2024, e dois materiais de referência internacionais, incluindo uma revisão sistemática. Resultados: Observa-se uma divergência de recomendações sobre a quimioprofilaxia para leptospirose entre as diretrizes do Ministério da Saúde e as do Rio Grande do Sul. A Nota Técnica nº 16/2024 do Ministério da Saúde, baseada em uma revisão sistemática de Win et al (2024), não recomenda o uso rotineiro de antimicrobianos por falta de evidências robustas. Em contrapartida, a Nota Técnica da Secretaria Estadual da Saúde (SES/RS) e da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), embora reconheça a posição federal, endossa a quimioprofilaxia para situações de alto risco, alinhando-se à diretriz da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2003. Discussão e Considerações Finais: Observou-se por meio das Notas Técnicas que as orientações adotadas pelo Rio Grande do Sul durante as enchentes foram conflitantes com aquelas propostas pelo Ministério da Saúde. A adoção de quimioprofilaxia no Estado foi justificada como uma medida emergencial para grupos que foram expostos à mistura de águas pluviais, esgoto e lama,de forma prolongada, embora seu uso, de forma profilática, não seja uma medida 100% eficaz na prevenção da doença. A utilização destes documentos com diretrizes divergentes evidenciou uma falta de organização, alinhamento e preparo dos órgãos de saúde pública  diante  de situações de desastres ambientais. Diante disso, torna-se evidente a necessidade de fortalecimento da articulação entre as ações tomadas pelos órgãos federais e estaduais, além da atualização e padronização dos protocolos baseados em evidências científicas robustas que permitiram respostas mais rápidas, seguras e eficazes frente às emergências sanitárias, como as enchentes.

https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00487
Creative Commons License
Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.

Copyright (c) 2026 Débora Hirt Munareto, Mayara Cargnin, Thamile Caetano de Lima, Rodrigo Silveira Pinto