Resumo
Introdução: A dor crônica é uma condição prevalente que afeta significativamente a qualidade de vida e funcionalidade dos indivíduos, frequentemente, os tratamentos farmacológicos convencionais apresentam eficácia limitada ou efeitos adversos intoleráveis, o que motiva a busca por terapias complementares. A cannabis medicinal tem emergido como uma opção terapêutica relevante, especialmente em casos de dor neuropática, fibromialgia e dor oncológica. Seus principais constituintes ativos, o tetrahidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD), atuam no sistema endocanabinoide, que modula processos fisiológicos como a percepção da dor, inflamação e humor. Objetivo: Analisar as evidências científicas atuais sobre o uso terapêutico da cannabis medicinal no tratamento da dor crônica, com foco em sua eficácia, segurança, mecanismos de ação e aplicabilidade clínica. Métodos: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, a qual ocorreu por meio da consulta nas bases PubMed, Scopus e SciELO, utilizando os termos 'cannabis medicinal', 'dor crônica', 'canabinoides', 'THC', 'CBD'. Foram incluídos artigos publicados entre 2016 e 2024, com prioridade para revisões sistemáticas, ensaios clínicos randomizados e diretrizes clínicas. Após análise dos títulos, resumos e textos completos, foram selecionados 23 estudos que atenderam aos critérios de relevância para a temática. Resultados: A análise dos estudos revelou que o uso de cannabis medicinal está associado a uma redução significativa na intensidade da dor crônica, especialmente em quadros de dor neuropática e dor associada à esclerose múltipla, câncer e fibromialgia. A combinação de THC e CBD mostrou-se mais eficaz do que o uso isolado de cada canabinoide. Em um ensaio clínico conduzido por Häuser et al, 2018, pacientes com dor crônica não oncológica que utilizaram preparações de cannabis relataram melhoras de até 30% na percepção da dor. Já na metanálise de Whiting et al., 2015, observou-se eficácia moderada da cannabis em comparação ao placebo, com destaque para a dor neuropática. Outro estudo de Portenoy et al, 2012, demonstrou que o uso de nabiximols (spray oral com THC e CBD) reduziu significativamente a dor em pacientes com câncer em estágio avançado. Benefícios adicionais reportados incluíram melhoria do sono, do apetite e da qualidade de vida. No entanto, efeitos adversos como sedação, vertigem e alterações cognitivas foram comuns, sobretudo em doses elevadas. Häuser et al, 2021, destacam que, embora os efeitos sejam modestos, eles são clinicamente relevantes em populações refratárias a outros tratamentos. O estudo de Russo (2008) reforça a relevância do efeito entourage – sinergia entre diversos compostos da cannabis – como potencial amplificador do efeito analgésico. Conclusão: A cannabis medicinal representa uma alternativa viável para o controle da dor crônica, especialmente em pacientes refratários a terapias convencionais. Seus efeitos analgésicos decorrem da modulação do sistema endocanabinoide, sendo mais evidentes em preparações equilibradas de THC/CBD. Apesar de promissora, a terapia com canabinoides exige cautela quanto à dose, formulação, indicação clínica e acompanhamento multiprofissional. Ainda há limitações relacionadas à escassez de ensaios clínicos com maior rigor metodológico, padronização de doses e regulamentação. A formação de profissionais da saúde e o investimento em políticas públicas são fundamentais para promover o uso seguro e racional da cannabis medicinal.

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Copyright (c) 2026 Renan Venancio Ferreira Lopes, Sanderson Breno Palheta Corrêa, Vitor Souza de Lima, Izadora Rodrigues Bezerra, Giselle Patrícia de Andrade, Felipe Mateus Miranda Gomes, Ilka Karine Costa Lima, Adriel Silva Furtado , Adriel Silva Furtado , Andressa Miranda Gomes, Williane Oliveira da Silva

