Resumo
Introdução: A resistência microbiana é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como uma das principais ameaças à saúde pública global. O uso inadequado de antimicrobianos contribui para esse cenário, gerando impacto na morbimortalidade e nos custos assistenciais. Para enfrentá-la, os Programas de Gerenciamento de Antimicrobianos (PGAs) são estratégias centrais. No Brasil, sua implementação é orientada pela ANVISA, que propõe seis componentes essenciais para sua efetivação. No entanto, pouco se conhece sobre o estágio de implementação dos PGAs nos hospitais do Rio Grande do Sul (RS). Objetivo: Analisar a implementação dos PGAs nos hospitais do RS, identificando facilitadores e barreiras, com base nos dados da pesquisa nacional da ANVISA (2022). Métodos: Estudo descritivo, transversal e de abordagem quantitativa, com análise secundária de dados públicos extraídos da plataforma Power BI da ANVISA. Foram incluídos todos os hospitais do RS que responderam ao formulário eletrônico da ANVISA e afirmaram possuir PGA implementado. Os dados foram analisados conforme os seis componentes propostos: apoio da alta direção, definição de responsabilidades, capacitação, ações de prescrição racional, monitoramento e divulgação de resultados. Resultados: Dos 169 hospitais respondentes, apenas 68 (40,23%) relataram possuir PGA implementado. Entre esses, apenas 25% foram classificados com nível de implementação avançado. Barreiras frequentes incluíram ausência de formalização institucional, falta de apoio da alta direção, escassez de recursos humanos e laboratoriais, além de limitada capacitação das equipes. Apenas 60,29% realizaram ações educativas para profissionais e 13,23% para pacientes. A ausência de liderança formal e de suporte em tecnologia da informação também foi destacada. Discussão e Considerações Finais: Apesar da importância dos PGAs no enfrentamento da resistência microbiana, os dados revelam fragilidades estruturais e institucionais na sua implementação nos hospitais do RS. As evidências apontam para a necessidade urgente de fortalecer o apoio institucional, garantir formação continuada e investir em infraestrutura, especialmente em microbiologia clínica. A atuação do farmacêutico clínico, identificada como liderança em parte das instituições, reforça a importância da interdisciplinaridade e do protagonismo desses profissionais. Conclui-se que o avanço dos PGAs depende de ações coordenadas entre gestores, profissionais e instâncias reguladoras para consolidar uma política eficaz de uso racional de antimicrobianos.

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