Resumo
Introdução: A fragilidade é uma condição clínica associada ao processo de envelhecimento e a uma menor capacidade de resposta fisiológica frente a eventos estressores, resultando em maior vulnerabilidade do idoso e facilitando desfechos adversos, como hospitalizações, institucionalizações, incapacidades, quedas e morte. Dessa forma, a fragilidade é um importante marcador da qualidade de vida, longevidade e da funcionalidade no idoso, exigindo atenção específica na área da saúde. A polifarmácia é conceituada como o uso rotineiro de cinco ou mais medicamentos simultâneos, prescritos ou não, sendo cada vez mais presente entre idosos, em função do perfil clínico complexo dessa população, podendo gerar eventos adversos a medicamentos, incluindo o aumento da fragilidade. Nesse aspecto, torna-se fundamental a implementação de abordagens integradas e individualizadas no manejo do idoso fragilizado, com foco na revisão criteriosa da terapia medicamentosa a fim de prevenir a polifarmácia desnecessária e seus efeitos adversos. Objetivo: Analisar os impactos da polifarmácia no aumento da fragilidade em pessoas idosas e identificar fatores predisponentes com base em evidências científicas atuais disponíveis na literatura. Métodos: Foi realizada uma revisão da literatura, com recorte temporal dos últimos cinco anos (2020-2025), nas bases de dados PubMed, SciELO e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), utilizando descritores MeSH/DeCS e operadores booleanos com as estratégias de busca: (Aged) AND (Polypharmacy) AND (Frailty) AND (Drug Interactions OR Drug-Related Side Effects and Adverse Reactions), (Polifarmácia AND Fragilidade AND Idosos), e ("Idoso" OR "Idosos") AND ("Polifarmácia") AND ("Síndrome da Fragilidade" OR "Fragilidade") AND ("Interações Medicamentosas" OR "Efeitos Colaterais e Reações Adversas Relacionadas a Medicamentos"). A busca resultou em 67 artigos e foram incluídos aqueles que apresentavam no título ou resumo pelo menos um dos descritores analisados. Resultados: Estudos recentes reforçam a associação entre a polifarmácia e o aumento da fragilidade em idosos em diferentes contextos, evidenciando que o uso simultâneo de múltiplos medicamentos representa um fator de risco clínico relevante para a perda de funcionalidade e autonomia. Em indivíduos robustos ou pré-frágeis, com mais de 60 anos e hospitalizados, a polifarmácia está relacionada a piores desfechos clínicos. Em idosos da comunidade, o uso prolongado de múltiplos medicamentos está relacionado à perda gradual da funcionalidade. Em instituições de longa permanência, reforça-se que o uso excessivo de medicamentos favorece a transição da pré-fragilidade para a fragilidade. Discussão e Considerações Finais: Diante disso, as evidências atuais destacam a importância da revisão criteriosa das prescrições, da implementação de estratégias de desprescrição segura e do acompanhamento multiprofissional para minimizar os impactos negativos da polifarmácia e prevenir a progressão da fragilidade nos idosos. Assim, uma estratégia que vem sendo estudada para redução dos efeitos negativos da fragilidade é a combinação da prescrição de medicamentos e programas de exercícios, proporcionando melhora na qualidade de vida geral desse público. Contudo, ainda há lacunas a serem preenchidas, como a falta de capacitação e preparo das equipes de saúde, especialmente na Atenção Primária, para identificar e manejar adequadamente os riscos da polifarmácia e seus efeitos na fragilidade e funcionalidade do idoso. Com isso, verifica-se a necessidade de mais estudos nessa área.

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