Resumo
Introdução: Os medicamentos ansiolíticos são amplamente utilizados no tratamento dos transtornos de ansiedade por sua ação moduladora no sistema nervoso central. Paralelamente, o uso indiscriminado de plantas medicinais é frequente, muitas vezes baseado na crença equivocada de que produtos naturais são isentos de riscos. No entanto, essas substâncias podem interagir com ansiolíticos, influenciando sua eficácia, comprometendo a prescrição médica e a adesão ao tratamento. Objetivo: O presente estudo teve como objetivo, entrevistar usuários do município de Lajeado/RS que fazem uso de medicamentos ansiolíticos, analisando a utilização destes medicamentos com o uso concomitante de plantas medicinais. Métodos: Trata-se de uma pesquisa de natureza exploratória, com abordagem quali-quantitativa. A coleta de dados foi realizada de forma presencial, no Bairro Campestre, localizado no município de Lajeado/RS. A amostra foi composta por moradores da referida localidade, selecionados mediante agendamento prévio. As entrevistas foram conduzidas no domicílio dos participantes, no período de setembro a outubro de 2023. Para a coleta de dados, utilizou-se um questionário padronizado e estruturado, bem como informações referentes ao uso de medicamentos ansiolíticos. Nesse contexto, foram analisados aspectos como tempo de utilização, posologia adotada e eventual uso concomitante de plantas medicinais com finalidade terapêutica. Resultados: Os dados obtidos evidenciaram a utilização concomitante de medicamentos ansiolíticos e plantas medicinais entre os participantes da pesquisa. Dentre as espécies mais frequentemente mencionadas destacam-se: Melissa officinalis L. (erva-cidreira), Passiflora incarnata L. (maracujá) e Cymbopogon citratus (DC.) Stapf (capim-limão). Essas plantas possuem compostos bioativos que interagem farmacologicamente com os ansiolíticos, podendo potencializar seus efeitos terapêuticos e/ou adversos. Observou-se que os benzodiazepínicos constituem a classe de medicamentos ansiolíticos mais utilizada pela população entrevistada. Todos os participantes relataram o uso regular de plantas medicinais, muitas vezes sem orientação profissional, o que pode comprometer a segurança e a eficácia do tratamento medicamentoso. Discussão e Considerações Finais: Os resultados da presente pesquisa evidenciam a persistente influência da cultura popular na adoção de práticas terapêuticas baseadas no uso de plantas medicinais. Tal influência, embora enraizada na tradição local, pode contribuir para o uso indiscriminado dessas substâncias, frequentemente sem o respaldo técnico-científico necessário ou o conhecimento adequado acerca das potenciais interações com os ansiolíticos. Observou-se, de forma recorrente, o uso simultâneo de plantas medicinais e benzodiazepínicos, prática que acarreta riscos clínicos relevantes em função das possíveis interações farmacocinéticas e farmacodinâmicas entre essas substâncias. Diante desse cenário, ressalta-se o papel essencial do profissional farmacêutico na orientação da população quanto ao uso seguro e racional de plantas medicinais. A atuação deste profissional, especialmente na atenção primária à saúde, é fundamental para minimizar os riscos associados às interações planta-medicamento, promover a educação em saúde e contribuir significativamente para a melhoria da qualidade de vida dos usuários. Portanto, este estudo reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à capacitação de profissionais e à conscientização da população quanto ao uso adequado de terapias complementares, considerando as especificidades regionais e culturais envolvidas.

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