ID-09 Estudo de Utilização de Analgésicos e Antimicrobianos em uma Unidade Básica de Saúde de um Município do Sul do Brasil

Palavras-chave

Agentes antimicrobianos; Analgésicos; Atenção Primária à Saúde

Como Citar

Crema, M. E., Sopran, A. S., Pires, C., & Cezarotto, V. S. (2026). ID-09 Estudo de Utilização de Analgésicos e Antimicrobianos em uma Unidade Básica de Saúde de um Município do Sul do Brasil. JORNAL DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA E FARMACOECONOMIA, 11(s.3). https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00453

Resumo

Introdução: O uso racional de medicamentos é essencial para a promoção da saúde e prevenção de agravos, sendo um dos pilares da atenção básica no Brasil. Entretanto, a utilização inadequada de medicamentos ainda é um desafio importante, especialmente no caso de analgésicos e antimicrobianos, amplamente consumidos pela população. Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 50% dos medicamentos são prescritos, dispensados ou utilizados de forma incorreta, contribuindo para o aumento da morbimortalidade e da resistência antimicrobiana. O uso excessivo de analgésicos pode mascarar sintomas relevantes e gerar toxicidade, enquanto o uso inadequado de antimicrobianos favorece a resistência bacteriana e reduz a eficácia terapêutica de infecções futuras. Avaliar os padrões de consumo dessas classes terapêuticas em contextos locais é fundamental para subsidiar ações de vigilância, educação em saúde e planejamento de políticas públicas. Objetivo: Analisar o perfil de consumo de medicamentos da classe dos analgésicos e antimicrobianos dispensados pela Unidade Básica de Saúde (UBS) do município de Frederico Westphalen – RS, durante o ano de 2023. Métodos: Trata-se de um estudo descritivo de corte transversal com coleta de dados realizada por meio do sistema informatizado da farmácia da UBS do referido município (população estimada de 32.627 pessoas, de acordo com dados do IBGE). Foram incluídas todas as dispensações de analgésicos e antimicrobianos constantes na Relação Municipal de Medicamentos Essenciais (REMUME). Resultados: Foram dispensadas 137.909 unidades de analgésicos no ano de 2023, com predominância dos seguintes medicamentos: paracetamol 500mg + codeína 30mg (33,43%), ibuprofeno 600mg (29,28%) e ácido acetilsalicílico 100mg (29,14%). Esses três representaram mais de 90% das dispensações, sendo todos classificados como anti-inflamatórios não esteroidais (AINE’s). As demais formulações, como dipirona e diclofenaco, tiveram participação inferior a 6%. Foram ainda dispensadas 75.533 unidades de antimicrobianos, com destaque para amoxicilina 500mg + clavulanato de potássio 125mg (29,45%), cefalexina 500mg (14,55%) e amoxicilina 500mg (10,83%). As classes mais representativas foram penicilinas (44,67%), cefalosporinas (19,63%) e quinolonas (13,10%). A principal forma farmacêutica foi comprimido, indicando perfil de atendimento majoritariamente adulto. Conclusão: O volume expressivo de dispensações reflete uma demanda significativa por medicamentos de uso frequente e baixo custo, concentrada em poucos princípios ativos. Esse padrão pode indicar padronização assistencial e adesão a protocolos, mas também sugere possível repetição automática de prescrições, sem avaliação individualizada. Fatores como o perfil epidemiológico local, a organização dos serviços e a cultura de prescrição podem influenciar esse cenário. A semelhança com dados de outras regiões reforça a necessidade de ações coordenadas para qualificar o uso. O predomínio de AINEs e antibióticos exige atenção redobrada, pelos riscos de efeitos adversos, toxicidade e resistência bacteriana. Mais do que ajustes pontuais, é essencial investir em capacitações, revisar protocolos e ampliar estratégias educativas voltadas à população. O monitoramento do perfil de consumo nas unidades deve ser rotina da assistência farmacêutica, favorecendo diagnósticos mais precisos e intervenções efetivas. Este estudo reforça a atenção farmacêutica como eixo estratégico para o uso racional de medicamentos, segurança do paciente e sustentabilidade do SUS.

https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00453
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