Resumo
Introdução: Medicamentos para doenças obstrutivas das vias aéreas são cada vez mais utilizados no mundo e estão associados à ocorrência de eventos adversos (EAs). A farmacovigilância tem o importante papel de monitorar EAs, mas ainda há poucos estudos sobre as notificações realizadas em sistemas nacionais. Objetivo: Este estudo objetivou descrever os medicamentos para doenças obstrutivas das vias aéreas mais frequentemente envolvidos em suspeitas de EAs no Brasil. Material e Método: Trata-se de um estudo descritivo das notificações de suspeitas de EAs disponibilizadas no VigiMed entre dezembro de 2018 e junho de 2024. Os dados foram extraídos dos arquivos abertos de farmacovigilância da Anvisa, organizados em três planilhas: notificações, medicamentos e reações. Foram incluídas notificações contendo, no mínimo, um medicamento classificado no nível R03 (“Medicamentos para Doenças Obstrutivas das Vias Aéreas”) do sistema ATC (Anatomical Therapeutic Chemical). As frequências absolutas e relativas dos medicamentos foram calculadas para análise descritiva. Resultados e Discussão: Foram incluídas 6.123 notificações, totalizando 10.323 medicamentos. Os medicamentos mais envolvidos em notificações foram: omalizumabe (19,33%; n=1.995), dexametasona (16,79%; n=1.733), budesonida/formoterol (9,89%; n=1.021), salbutamol (8,88%; n=917), dupilumabe (4,02%; n=415), ipratrópio (3,59%; n=371), beclometasona (3,16%; n=326), mepolizumabe (2,83%; n=292), fenoterol (2,72%; n=281) e tiotrópio (2,65%; n=274). Outros imunobiológicos (mAbs) também foram identificados, em frequências menores, como benralizumabe (2,25%; n=232) e tezepelumabe (0,19%; n=20). Antagonistas de leucotrienos e estabilizadores de mastócitos apresentaram baixa frequência, com montelucaste sendo o único antagonista de leucotrienos notificado (2,32%; n=240) e cromoglicato de sódio o único estabilizador de mastócitos identificado (0,02%; n=2). A distribuição das notificações sugere diferenças no uso e monitoramento dos medicamentos. Combinações inalatórias, amplamente empregadas no manejo de asma e doença pulmonar obstrutiva crônica, apresentaram alta frequência, provavelmente influenciada pela maior exposição populacional. Imunobiológicos se destacaram nas notificações, possivelmente devido ao acompanhamento mais rigoroso em pacientes com asma grave e à atenção prioritária à farmacovigilância nesses casos. Corticosteroides sistêmicos, associados a riscos de EAs sistêmicos, também foram frequentemente notificados. Em contrapartida, classes como antagonistas de leucotrienos e estabilizadores de mastócitos mostraram menor frequência, sugerindo um uso mais limitado e uma percepção de menor risco na prática clínica. Conclusões: Os imunobiológicos destacaram-se nas notificações de suspeitas de EAs, reforçando a importância do monitoramento contínuo desses medicamentos.

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Copyright (c) 2025 Guilherme Rocha Pereira, Ana Clara Garcia Marton, Thaynara Maria Canal Silva, Kérilin Stancine Santos Rocha, Mariana Martins Gonzaga Nascimento, Dyego Carlos Souza Anacleto Araújo

