Resumo
Introdução: A informatização das ações e serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), incorporado a normas e diretrizes tecnológicas congruentes, hoje, é considerada fundamental para a descentralização das ações e serviços. A estratégia de saúde digital para o Brasil veio com o principal objetivo de responder às necessidades de informação da atualidade. A Rede Nacional
de Dados em Saúde (RNDS) é a plataforma que irá realizar a interoperabilidade dos sistemas nacionais de saúde. A assistência farmacêutica, através da consolidação na Base Nacional de Ações e Serviços da Assistência Farmacêutica está dentro das possibilidades de integração com a RNDS. Evidências tem demonstrado que intervenções organizacionais relacionadas à utilização de sistema informatizado, proporcionam melhorias significativas para a assistência farmacêutica, acesso e uso
racional de medicamentos e redução de gastos com medicamentos pelos usuários e/ou serviços. Objetivos: O presente estudo buscou descrever o panorama do uso dos sistemas informatizados para a gestão da assistência farmacêutica a partir das evidências do Projeto QUALISUS-Rede. Material e Método: O estudo possui delineamento transversal, com coleta de dados de
dezembro de 2013 a julho de 2015, a partir de entrevistas com responsáveis pela assistência farmacêutica em 417 municípios brasileiros e Distrito Federal. As variáveis analisadas foram as relativas a existência de sistema informatizado para gestão da Assistência Farmacêutica, tipo de sistema e sua integração em rede com as demais unidades de saúde da rede, bem como o
porte populacional e região administrativa do país. Resultados: Foi referido pelos gestores o uso de sistemas informatizados para a gestão da assistência farmacêutica em 64,8% dos municípios, com diferenças entre as regiões administrativas e os portes populacionais. Na região Norte, 44,3% dos municípios possuíam sistema informatizado, enquanto nas regiões Sul e Sudeste, apresentavam 74,3% e 74,1%, respectivamente. Quanto ao porte populacional, o menor percentual de existência de sistema informatizado foi evidenciado nos municípios de até 20 mil habitantes (47,4%) e os de maiores percentuais nos municípios de 100.001 a 500 mil habitantes (89,5%). Quando analisado o tipo de sistema utilizado nos municípios das regiões brasileiras, o uso do Sistema Hórus foi mais frequente nas regiões Norte (74,3%) e Nordeste (50,0%) se comparadas com as demais regiões. Apenas 27,8% dos municípios referiram que o sistema era integrado na rede de atenção à saúde municipal. Discussão e Conclusões: As desigualdades regionais no uso de sistemas informatizados para a gestão da assistência farmacêutica nos municípios evidenciadas e sua baixa integração com as demais unidades de saúde dos que possuem sistema de informação para gestão apontam para a necessidade de direcionamento das políticas locais e federais para o tema e consequentemente na qualificação dos serviços farmacêuticos prestados aos usuários do SUS.

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