Resumo
Introdução: A lesão hepática induzida por drogas pode desenvolver-se após o uso de muitas drogas, tanto prescritas quanto de venda livre, através de uma variedade de mecanismos. Um alto índice de suspeita é muitas vezes necessário para estabelecer rapidamente o diagnóstico. A DILI tem uma incidência anual estimada entre 10 e 15 por 10.000 a 100.000 pessoas expostas a medicamentos prescritos, o que representa cerca de 10 por cento de todos os casos de hepatite aguda, e é a causa mais comum de insuficiência hepática aguda nos Estados Unidos. O abuso de álcool e a desnutrição predispõem a DILI em alguns casos. Objetivos: Trata-se de um relato de caso de reação adversa a medicamento com hepatotoxicidade após uso de Dolutegravir para tratamento de AIDS em paciente feminina em um Hospital Universitário de Salvador-Bahia. Método: Estudo observacional descritivo intervencionista. Resultados e Discussão: Paciente 24 anos, refere histórico de dislipidemias, nega outras comorbidades, etilismo, alergias e uso prévio de medicamentos contínuos. Foi internada no hospital de sua cidade com quadro infeccioso e apresentou teste rápido positivo para HIV. Encaminhada para o serviço de infectologia do Hospital Universitário Prof. Edgard Santos. Admitida nesta instituição no dia 22/02/2017 para investigação e compensação do quadro de infecção (diarreia, febre intermitente com astenia, pancitopenia e lesões de cavidade oral) associado ao HIV. Fez uso de um concentrado de hemácias. Fez uso de ceftriaxona (2g/ dia, EV, entre 18 e 21/02/2017), metronidazol (1500mg/dia, VO, entre 17 e 28/02/17) e fluconazol (200mg/dia, VO, de 18 a 28/02/17) durante o internamento no hospital de sua cidade. Ao ser admitida no HUPES foi feito coleta para os testes confirmatórios de HIV e introduzido azitromicina (1500mg/semana, VO) no dia 22/02/2017. Exames laboratoriais para função hepática na admissão: TGO 173U/L; TGP 49U/L; FA 290U/L; GGT 182 U/L. Em 24/02/2017 foi introduzido sulfametoxazol+trimetoprim (800mg + 160mg/dia, VO). Após resultados de carga viral (1.590.438 cp) e CD4+ (45 cels), foi introduzido esquema antirretroviral com tenofovir (300mg/dia, VO), lamivudina (300mg/dia, VO) e dolutegravir (50mg/dia, VO) no dia 02/03/2017. Dose única de filgrastim (300mcg, SC) nesta data. No dia 09/03/17 a paciente apresentou cefaleia, náuseas e vômitos e exames mostraram enzimas canaliculares e transaminases elevadas: TGO 275; TGP 197; FA 487; GGT 227. Atingiu valores máximos no dia 14/03/17: TGO 445; TGP 496; GGT 441; FA 2.575. O dolutegravir foi suspenso neste dia. No dia 27/03/17 exames demonstraram melhora do perfil hepático, mantendo-se os demais medicamentos. Conclusão: De acordo com a avaliação de causalidade, através da aplicação dos algoritmos de Naranjo, RUCAM, OMS e da União Européia, tento com resultados provável, altamente provável, certa ou provada e categoria A, respectivamente, foi possível concluir que a lesão hepática do tipo colestática foi causada pelo uso do dolutegravir.

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Copyright (c) 2023 JORNAL DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA E FARMACOECONOMIA
