Resumo
Introdução: As infecções fúngicas invasivas (IFI’s) em pacientes de unidade de terapia intensiva (UTI) representam um importante fator de mortalidade e estão associados à presença de fatores de risco. Esses fatores podem ser uso de antibiótico de amplo-espectro, corticosteroides, imunossupressores, intubação orotraqueal (IOT), cateter venoso central (CVC), hemodiálise, cirurgia abdominal, infecção pelo vírus HIV, entre outros. A alta taxa de mortalidade está relacionada principalmente a dificuldade na realização do diagnóstico precoce e a identificação dos fatores de risco pode guiar o início da terapia antifúngica, o que pode reduzir os danos causados aos pacientes. Objetivo: O objetivo deste estudo foi avaliar a relação entre a presença de fatores de risco para IFI’s e o início da terapia antifúngica em pacientes internados na UTI. Metodologia: Trata-se de uma coorte baseada em dados retrospectivos em um Hospital Público localizado no interior da Bahia. Foram avaliados todos os pacientes adultos internados na UTI entre janeiro de 2014 a setembro de 2015. A associação entre a presença dos fatores de risco e a introdução do antifúngico foi analisada no modelo bivariado com determinação do risco relativo. As variáveis com associação positiva (p<0,05) foram inseridas em um modelo multivariado, com regressão de Poisson a fim de identificar a força da associação de cada um deles com o desfecho avaliado. Resultados: Foram internados 572 pacientes na UTI durante o período do estudo, dos quais 447 preencheram os critérios de inclusão. Desse total, 59 (13,2%) utilizaram terapia antifúngica em algum momento durante a internação. Foram identificados 9 fatores de risco na população estudada. Desses, o uso de antibioticoterapia de amplo-espectro, realização de cirurgia abdominal, hemodiálise, infecção pelo vírus HIV e uso de nutrição parenteral apresentaram associ ação estatisticamente significante com a indicação da terapia antifúngica. Conclusão: No presente estudo, foi identificada uma forte associação entre a presença de fatores de risco para o desenvolvimento IFI’s e a introdução da terapia antifúngica. A associação observada se deve principalmente ao uso de antibióticos de amplo-espectro, realização de hemodiálise, ter sido submetido recentemente a cirurgia abdominal ou infecção pelo vírus HIV.
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