Resumo
Introdução (com o objetivo): Introdução: O monitoramento contínuo da glicose (MCG) representa uma tecnologia relevante no manejo do diabetes mellitus tipo 1 (DM1), especialmente em crianças e adolescentes, por permitir melhor acompanhamento glicêmico e redução de complicações agudas e crônicas¹,². Entretanto, sua efetividade depende da adesão ao uso adequado e da existência de suporte assistencial estruturado³. Objetivos: Avaliar o perfil glicêmico e a adesão ao uso do MCG em crianças e adolescentes com DM1 acompanhados em programa municipal especializado. Descrição: Métodos: Estudo transversal, descritivo, realizado com 37 crianças e adolescentes com DM1, a partir de dados secundários anonimizados extraídos da plataforma LibreView®. Foram analisados tempo no alvo (TIR), indicador de manejo glicêmico (GMI), coeficiente de variação (CV), glicose média e frequência diária de escaneamentos, conforme parâmetros internacionalmente recomendados para interpretação clínica do MCG¹,⁴. Foram utilizados exclusivamente dados estatísticos e anonimizados, sem identificação individual dos pacientes, não havendo necessidade de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa, conforme a legislação vigente. Resultados: Observou-se controle glicêmico aquém das metas recomendadas: 21,6% atingiram TIR ≥ 70% e 16,2% apresentaram GMI < 7%¹,². Além disso, 40,5% apresentaram CV > 36% e glicose média superior a 180 mg/dL. Em relação à adesão ao dispositivo, 24,3% registraram menos de seis escaneamentos diários. Também foi observada diferença entre os sexos, sugerindo padrões distintos de adesão ao monitoramento. Conclusão: Embora os resultados demonstrem que o controle glicêmico ainda se encontra abaixo das metas recomendadas para parte significativa dos pacientes, o monitoramento contínuo da glicose representa uma tecnologia de grande relevância no cuidado do diabetes mellitus tipo 1, por favorecer maior segurança clínica, redução de episódios agudos e potencial diminuição de hospitalizações. Além disso, contribui para a melhoria da qualidade de vida de crianças, adolescentes e seus familiares, ao reduzir punções capilares frequentes e ampliar a autonomia no autocuidado. No entanto, a disponibilidade do MCG, isoladamente, não se mostrou suficiente para potencializar os desfechos glicêmicos. Os achados reforçam a necessidade de educação em diabetes, acompanhamento multiprofissional e suporte assistencial estruturado no SUS para ampliar a efetividade dessa tecnologia³,⁵.

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