Resumo
Introdução: A esquizofrenia é uma doença crônica e debilitante caracterizada por desordens de pensamento, conduta e afeto. Representa elevada carga econômica para a sociedade devido ao seu longo curso, alta ocorrência de comorbidades, necessidade de hospitalizações e inexistência de um tratamento farmacológico universalmente efetivo. Objetivo: Propõe-se a avaliação de custo-efetividade de antipsicóticos, sob a perspectiva do sistema de saúde, a fim de disponibilizar informação para tomada de decisão baseada em evidências. Métodos: Esse estudo avaliou a relação de custo-efetividade entre risperidona, quetiapina, ziprasidona e olanzapina no Sistema Único de Saúde, através de um Modelo de Markov baseado na prática clínica, literatura científica e bases de dados governamentais. O horizonte temporal foi de 18 meses, divididos em ciclos de três meses. A efetividade foi avaliada pela descontinuação do tratamento por qualquer causa e os custos foram mensurados em reais (2014). O modelo foi analisado através de uma microssimulação para representar a influência da variabilidade do preço dos medicamentos no perfil de custo-efetividade. Resultados: A olanzapina apresentou o menor custo entre as alternativas avaliadas, seguida pela risperidona, ziprasidona e quetiapina. A olanzapina também apresentou valores mais altos de efetividade, seguida pela risperidona. Considerando uma disposição a pagar igual a zero, por mês de tratamento efetivo, a olanzapina é considerada custo-efetiva em 51,8% dos ensaios; com a disposição a pagar de R$ 252,00, a olanzapina é considerada custo-efetiva em todos os ensaios. A análise de sensibilidade determinística, entre risperidona e olanzapina, mostra que o parâmetro modelado que mais provoca variação no RCEI é o custo da olanzapina, seguido pelo custo de hospitalização. A análise de sensibilidade probabilística realizada demonstrou que, com uma disposição a pagar nula, a risperidona foi considerada opção ótima em 50,4% dos ensaios. Com o aumento da disposição a pagar, a olanzapina vai aumentando progressivamente em chance de se tornar custo-efetiva até atingir 100% em uma disposição a pagar de R$ 364,00. Discussão: Estudos econômicos internacionais que avaliaram a relação de custo-efetividade entre risperidona e olanzapina apresentam resultados divergentes dependendo do país onde foram realizados, desfechos utilizados, custos identificados, tipo de modelo, horizonte temporal e fonte dos dados. O custo de prescrição da olanzapina é maior do que o da risperidona, porém o custo do tratamento pode ser influenciado pelos custos de internação e de tratamento dos efeitos adversos, favorecendo a olanzapina em relação à risperidona. A literatura internacional tende a favorecer olanzapina e risperidona em relação a ziprasidona e quetiapina. Conclusão: A olanzapina foi considerada dominante sobre as demais alternativas avaliadas. A risperidona foi dominada pela olanzapina, mas foi dominante sobre os outros medicamentos avaliados.
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