Resumo
Introdução (com objetivo): O câncer de mama triplo-negativo (CMTN) avançado permanece um dos maiores desafios da oncologia, caracterizado por elevada agressividade, rápida progressão e opções terapêuticas limitadas (1). A imunoterapia anti-PD-L1 surge como estratégia promissora ao restaurar a resposta imune antitumoral, particularmente em pacientes com expressão de PD-L1, grupo biologicamente mais responsivo (2,3). O objetivo deste estudo é avaliar a eficácia e a segurança do atezolizumabe associado à quimioterapia como tratamento de primeira linha em pacientes com CMTN avançado ou metastático PD-L1 positivo. Material e Método: Revisão sistemática com meta-análise conduzida conforme recomendações da Cochrane e reportada segundo PRISMA checklist (4,5), com protocolo registrado no PROSPERO (CRD420251181138). Foram realizadas buscas em MEDLINE (via buscador PudMed), Embase, Cochrane CENTRAL, LILACS e ClinicalTrials.gov até outubro de 2025. Incluíram-se ensaios clínicos randomizados comparando atezolizumabe associado à quimioterapia versus quimioterapia isolada ou combinada a placebo. A seleção e extração foram realizadas por revisores independentes. As meta-análises utilizaram modelo de efeitos aleatórios (Mantel-Haenszel e inverso da variância). O risco de viés foi avaliado pelo RoB 2 e a certeza da evidência pelo GRADE, por revisores independentes. Resultados: Foram incluídos três ensaios clínicos randomizados (n=1.064). Na população PD-L1 positiva, o atezolizumabe associado à quimioterapia reduziu o risco de progressão da doença (HR=0,63; IC95% 0,51–0,78; certeza moderada) e de mortalidade (HR=0,67; IC95% 0,53–0,86; alta certeza), além de aumentar a taxa de resposta objetiva (OR=1,96; IC95% 1,29–2,98; alta certeza) (2,3). Esses resultados correspondem a uma redução absoluta de aproximadamente 161 eventos de progressão por 1.000 pacientes tratados. No entanto, a evidência de sobrevida global baseia-se predominantemente em um único ensaio clínico. Não foi observado benefício consistente em qualidade de vida (HR=0,94; IC95% 0,69–1,28, baixa certeza). Em comparação à quimioterapia isolada, houve aumento do risco de eventos adversos graves (RR=1,53; IC95% 1,15–2,02; muito baixa), sem diferença significativa para eventos adversos gerais (RR=1,15; IC95% 0,87–1,53; muito baixa). A heterogeneidade entre os estudos, incluindo diferenças nos regimes quimioterápicos, contribui para a incerteza, especialmente nos desfechos de segurança. Conclusões: A adição de atezolizumabe à quimioterapia está associada a benefícios clínicos relevantes em pacientes com CMTN PD-L1 positivo, especialmente na redução da progressão da doença e da mortalidade. Contudo, a dependência de evidência de um número limitado de estudos, a ausência de benefício consistente em qualidade de vida e a baixa certeza da evidência para desfechos de segurança indicam que esses resultados devem ser interpretados com cautela. A tomada de decisão clínica deve considerar o equilíbrio entre benefícios e riscos, bem como a seleção criteriosa de pacientes.

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Copyright (c) 2026 Andreia Rosa Borges, Alexander Itria , Bruna Marmett, Ísis Nalin Fernandes Nonato, Meline Rossetto Kron-Rodrigues, Layssa Andrade Oliveira

