PE-087 Evidências Clínicas e Econômicas da Tripla Combinação Fixa (BDP/FOR/G) para DPOC: Da Análise à Incorporação no SUS

Palavras-chave

Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica;
Avaliação de Tecnologias em Saúde;
Terapia Tripla Fixa.

Como Citar

da Cruz, C. R., Vargas, E. V. F. F., Gossenheimer, A. N., Sallum, F., Bezerra, G. P., Sauter, I. P., Laba, I. S., & Oliveira, W. A. (2026). PE-087 Evidências Clínicas e Econômicas da Tripla Combinação Fixa (BDP/FOR/G) para DPOC: Da Análise à Incorporação no SUS. JORNAL DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA E FARMACOECONOMIA, 11(s.4). https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00577

Resumo

Introdução (com objetivo): A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) permanece como um dos principais desafios da saúde pública no Brasil, com elevada carga de morbimortalidade. Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) apontam que, em 2024, a DPOC foi responsável por 49.557 óbitos na população brasileira com idade acima de 40 anos (CID-10 J44) (1). Diante da necessidade de estratégias que otimizem a capacidade funcional e reduzam exacerbações, o Ministério da Saúde oficializou, via Portaria SECTICS/MS nº 44/2024, a incorporação da terapia tripla em dispositivo único (BDP/FOR/G 100/6/12,5 µg). Este trabalho analisa criticamente as evidências do Relatório da CONITEC que sustentam essa decisão para pacientes com DPOC grave e muito grave. O objetivo desse trabalho é analisar e descrever as evidências científicas, econômicas e sociais que fundamentaram a decisão da CONITEC de incorporar a tripla terapia fixa extrafina (BDP/FOR/G) ao SUS para o tratamento de pacientes com DPOC grave e muito grave (2). Material e Método: A evidência clínica baseou-se na revisão de ensaios clínicos randomizados que avaliaram a eficácia e segurança da combinação BDP/FOR/G frente às terapias duplas (LABA/LAMA e CI/LABA) e à terapia tripla aberta. A avaliação econômica considerou um modelo de transição de Markov com horizonte temporal lifetime, aplicando Análise de Custo-Utilidade (QALY). Complementarmente, realizou-se uma Análise de Impacto Orçamentário (AIO) para cinco anos e a análise técnico-social das 1.907 contribuições da Consulta Pública nº 42/2023, contemplando percepções de pacientes, profissionais de saúde e demais partes interessadas. Resultados: Clinicamente, o BDP/FOR/G demonstrou superioridade na redução de exacerbações moderadas a graves (29% vs. terapia dupla) e não-inferioridade na melhora da função pulmonar em relação à terapia tripla aberta. Na análise farmacoeconômica, a combinação fixa gerou 12,23 QALYs (vs. 11,11 da tripla aberta), apresentando-se altamente custo-efetiva com uma RCUI de R$ 6.406,83 por QALY incremental. A AIO projetou uma economia superior a R$ 2,5 bilhões ao SUS em cinco anos, impulsionada pela redução de custos diretos com internações. Socialmente, a tecnologia obteve 98,8% de aprovação na consulta pública, com forte engajamento de profissionais de saúde (54%). Relatos qualitativos enfatizaram que a tecnologia extrafina em dispositivo único otimiza a deposição pulmonar e reduz a polifarmácia, favorecendo a adesão ao tratamento (1,2). Conclusões: A incorporação da tripla terapia extrafina foi sustentada em evidências robustas de eficácia clínica e custo efetividade, sendo crucial para reduzir a morbimortalidade associada à DPOC no Brasil. Diante da economia projetada e do ganho expressivo de QALYs, a tecnologia foi formalmente integrada à linha de cuidado do SUS através da Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 29, de 27 de novembro de 2025, que aprovou o novo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da doença. Com o respaldo de profissionais e pacientes, essa medida representa um avanço prático na gestão da saúde pública, garantindo o acesso a uma terapia que mitiga a polifarmácia e promove a independência funcional de pacientes graves e exacerbadores em todo o território nacional.

https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00577
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