PE-011 Avaliação dos Critérios de Monitoramento de Lesão Hepática Induzida por Medicamentos (Dili) em Protocolos de Pesquisa Clínica, em um Hospital de Referência em Salvador - BA.

Palavras-chave

Lesão Hepática induzida por medicamentos (DILI); Ensaios Clínicos; Fenótipos de DILI e Protocolos Clínicos.

Como Citar

Santos, T. R. M., & Noblat, L. de A. (2026). PE-011 Avaliação dos Critérios de Monitoramento de Lesão Hepática Induzida por Medicamentos (Dili) em Protocolos de Pesquisa Clínica, em um Hospital de Referência em Salvador - BA. JORNAL DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA E FARMACOECONOMIA, 11(s.4). Recuperado de https://ojs.jaff.org.br/ojs/index.php/jaff/article/view/1641

Resumo

Introdução (com objetivo): A lesão hepática induzida por medicamentos (DILI) refere-se a um espectro clínico que vai desde alterações leves nas enzimas hepáticas até quadros graves de insuficiência hepática aguda. Cerca de 50% dos fármacos que ingressam em estudos clínicos de fase inicial não avançam para as fases II ou III, devido à toxicidade hepática. A ausência de consenso sobre como avaliar e gerenciar esses sinais de lesão hepática nos estudos clínicos, resulta em abordagens variadas nos protocolos de pesquisa. O objetivo deste estudo é revisar os parâmetros utilizados na avaliação de DILI em protocolos clínicos implementados entre 2018 e 2024, em um Núcleo de Ensaios Clínicos da Bahia. Material e Método: Trata-se de um estudo observacional, com coleta de dados retrospectivos dos protocolos clínicos, no Complexo Hospitalar Universitário Professor Edgard Santos (HUPES) do NECBA (Núcleo de Ensaios Clínicos da Bahia) um centro de referência em pesquisa clínica no estado da Bahia, composto por uma equipe multidisciplinar, que atende protocolos clínicos multicêntricos, com rigor técnico e qualificação. A população-alvo do estudo foram todos os investigadores principais que atuaram como responsáveis por protocolos clínicos no núcleo de ensaios clínicos durante o período definido de 2018-2024. Foram realizadas entrevistas com os responsáveis pelos protocolos de estudos clínicos desta dissertação. Foi utilizado um formulário estruturado, conforme as diretrizes utilizadas pelas agências reguladoras internacionais. As variáveis incluídas no instrumento de coleta de dados foram definidas com base nas diretrizes internacionais de Boas Práticas Clínicas , farmacovigilância, requisitos regulatórios de segurança clínica estabelecidos pelo FDA e pelos Regulamentos sob supervisão da European Medicines Agency, além de diretrizes clínicas da agência reguladora nacional. Resultados: A análise revelou deficiências no monitoramento e diagnóstico de DILI, cerca de um terço dos protocolos omitiu marcadores bioquímicos essenciais, como ALT, AST, bilirrubina e fosfatase alcalina, em desacordo com as diretrizes estabelecidas por órgãos reguladores internacionais. Houve também, baixa utilização de algoritmos validados (RUCAM) e ausência de padronização para causalidade de DILI (alguns utilizavam apenas opinião de especialistas e/ou algoritmos), além da falta de critérios transparentes para a interrupção dos estudos. A Lei de Hy que é considerada referência crítica para triagem de hepatotoxicidade medicamentosa, foi mencionada em apenas 33,3% dos documentos. Portanto, recomenda-se alinhamento com diretrizes internacionais e a incorporação de normas técnicas para o diagnóstico de DILI nos ensaios clínicos nacionais, visando à segurança dos participantes e à credibilidade científica dos ensaios clínicos no país. Conclusões: Os resultados sugerem que, apesar do crescimento quantitativo das atividades de pesquisa clínica, persiste heterogeneidade significativa nos critérios de monitoramento e manejo de DILI. A ausência de referências normativas claras e de manuais operacionais específicos exige a reprodutibilidade diagnóstica e a robustez metodológica dos protocolos clínicos. A predominância da avaliação clínica não sistematizada, desacompanhada de algoritmos estruturados de causalidade, reforça essa lacuna científica. Portanto, o avanço nessas dimensões é fundamental para aprimorar a segurança dos participantes, elevar a qualidade científica dos estudos e fortalecer a atualização da pesquisa clínica nacional.

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