Resumo
Introdução: Nos últimos anos, houve uma significativa melhora nas taxas de resposta, sobrevida livre de progressão e sobrevida global no tratamento do câncer colorretal metastático, resultante do desenvolvimento de novas combinações de quimioterapia padrão e surgimento de drogas alvo-específicas. Objetivo: Este estudo teve como objetivo realizar uma análise de custo-efetividade do protocolo XELOX isoladamente (estratégia 1) em comparação ao XELOX acrescido de bevacizumabe (estratégia 2) em tratamento de 1ª linha para pacientes com câncer colorretal metastático sob a perspectiva de um hospital público universitário. Material e método: Trata-se de uma avaliação econômica completa empregando-se árvore de decisão associada a modelo de Markov. Os custos foram expressos em unidade monetária local (R$) e os desfechos em meses de vida ganhos. Para a construção do modelo, foi utilizado o software TreeAge Pro 2013®, elaborando-se um modelo de estados de transição de Markov, em horizonte temporal de 60 meses, sendo que cada ciclo do modelo correspondeu a três meses. Os dados de custos foram coletados retrospectivamente, por microcusteio, e obtidos por meio do sistema interno de dados eletrônico do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Os dados de efetividade e as probabilidades de transição entre os estados de saúde foram calculados utilizando-se dados de estudos clínicos selecionados por revisão de literatura. Para aumentar a comparabilidade com outros estudos, as taxas de desconto foram padronizadas em 5% ao ano. Resultados e discussão: A diferença incremental em meses de vida ganhos foi de 2,25 para um custo extra de R$47 833,57, o que resultou em uma razão de custo-efetividade incremental de R$21 231,43 por mês de vida ganho para a Estratégia 2. Considerando-se um limiar de custo-efetividade de três vezes o valor do Produto Interno Bruto per capita, segundo recomendação da Organização Mundial de Saúde, a adição de bevacizumabe ao esquema XELOX não foi considerada custo-efetiva neste modelo. Pela análise de sensibilidade, a variável que causou maior impacto foi a efetividade para o estado de saúde “suporte clínico” na estratégia 1. Quando este parâmetro foi inserido no modelo com o valor mínimo e o valor máximo, apresentou uma razão de custo-efetividade incremental de R$7 814,47 e R$-29 614,12 respectivamente. Assim, a estratégia 2 tornou-se dominada pela estratégia 1. Conclusão: Este estudo disponibiliza informações aos profissionais e gestores nas tomadas de decisão sobre tecnologias em saúde.
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