Resumo
Introdução: Hipertensão pulmonar (HP) é um distúrbio fisiopatológico que pode envolver múltiplas condições clínicas e pode complicar a maioria das doenças cardiovasculares e respiratórias. O tratamento é complexo e definido de acordo com a classificação clínica da doença (grupos 1 a 5) [1]. O Brasil tem um Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para HP aprovado desde 2014, que permaneceu defasado em relação às recomendações internacionais por apenas permitir a monoterapia como opção terapêutica. Em setembro de 2023 o PCDT foi atualizado, ampliando as opções terapêuticas disponíveis no SUS e possibilitando a combinação de medicamentos atuantes em vias de sinalização diferentes, entre elas a via das prostaciclinas, que conta com as opções selexipague e iloprosta, que são majoritariamente utilizadas como a terceira medicação associada [2]. Objetivo: Avaliar difusão da utilização da terapia combinada tripla com iloprosta ou selexipague para Hipertensão Arterial Pulmonar - HAP (HP grupo 1) após atualização do PCDT. Métodos: Dados do Sistema de Informação Ambulatorial (SIA-SUS) foram coletados com base nos parâmetros de data de atendimento (setembro/2023 até abril/2025), código único do paciente, filtrados pela CID I27.0 (HP primária) e I27.2 (outra hipertensão pulmonar secundária) do instrumento de registro APAC de medicamentos para iloprosta e selexipague, conforme informações do SIGTAP. Caso o paciente apresentasse os procedimentos de iloprosta ou selexipague, foi classificado como tratamento com terapia tripla [3]. Resultados: O crescimento inicial da utilização dos medicamentos da via das prostaciclinas após atualização do PCDT pode estar associado à demanda represada de pacientes que, anteriormente, não tinham acesso a esse tratamento. No entanto, foi observada disparidade na adesão às tecnologias. A tendência de utilização de iloprosta se manteve crescente durante todo o período analisado e atingiu 150 pacientes tratados em abril/2025. Em contrapartida, apesar da implementação do PCDT ter ocorrido em setembro/2023, o número de pacientes com selexipague passou a crescer mais expressivamente somente a partir de fevereiro/2024, atingindo aproximadamente 50 pacientes no período final da análise. Esse dado discorda das projeções realizadas durante a avaliação de selexipague, que estimou 50% da população elegível a terapia tripla utilizando o medicamento após o primeiro ano de incorporação [4], mas apenas 7% dos pacientes projetados para 2024 foi beneficiado pelo tratamento. A utilização da terapia combinada dupla se manteve estável durante os 18 meses avaliados. Conclusões: Apesar do aumento do número de pacientes com HAP tratados com agentes da via das prostaciclinas, é possível observar uma diferença importante na adesão aos medicamentos disponíveis no SUS e que a difusão da tecnologia ainda não foi realizada de forma efetiva.

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