PE - 079 Judicialização da Cannabis Medicinal em Alagoas: Desalinhamento entre Demandas Judiciais e Evidências Científica

Palavras-chave

Judicialização da saúde; Canabidiol; Assistência farmacêutica; Avaliação das tecnologias de saúde

Como Citar

Ricardo de Oliveira Silva, S., Figueiredo Góis, T., Erivanda Castelo Meireles, M., Henrique Rodrigues Gomes, J., Maria Paixão Soares, A., Alexandre Barbosa Moura, G., & Aline Barros Fidelis Moura, M. (2026). PE - 079 Judicialização da Cannabis Medicinal em Alagoas: Desalinhamento entre Demandas Judiciais e Evidências Científica. JORNAL DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA E FARMACOECONOMIA, 11(s1). https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00333

Resumo

Introdução: A judicialização para acesso a produtos derivados de cannabis tem apresentado crescimento expressivo no Brasil, muitas vezes extrapolando as indicações respaldadas por evidências científicas robustas. Até o presente momento, o uso de canabinoides apresenta suporte científico mais consistente, principalmente, para o manejo de epilepsias refratárias e algumas síndromes raras, como a esclerose tuberosa. Conhecer o perfil das demandas judiciais pode revelar um possível desalinhamento entre prática prescritiva e evidências, impactando a assistência farmacêutica e a sustentabilidade do SUS. Objetivo: Descrever o perfil demográfico dos pacientes atendidos por demandas judiciais envolvendo produtos derivados de cannabis no Estado de Alagoas, entre janeiro de 2024 e junho de 2025, e analisar sua conformidade com as indicações respaldadas pela literatura científica. Métodos: Estudo descritivo, retrospectivo, baseado na análise de processos judiciais registrados no Núcleo Interinstitucional de Judicialização em Saúde (NIJUS) da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas. Foram analisadas as variáveis: sexo, faixa etária, CID-10 do diagnóstico e tipo de produto (canabidiol isolado ou associado a THC). A análise foi realizada por estatística descritiva (frequências absolutas e relativas). Resultados: Entre janeiro de 2024 e junho de 2025, foram identificadas 47 demandas judiciais para fornecimento de produtos à base de cannabis. A maioria dos pacientes era do sexo feminino (57,4%; n=27), com idade média de 25,9 ± 21,0 anos, predominando crianças de 0–9 anos (38,2%). Os diagnósticos mais frequentes foram autismo infantil (CID-10: F84.0), com 12 casos (25,5%), epilepsias (CID-10: G40 e subcategorias), com 12 casos (25,5%)  e fibromialgia (CID-10: M79.7), com 7 casos (14,8%). Quanto ao tipo de produto, 57,1% das demandas foram para canabidiol isolado e 42,9% para produtos contendo THC. Não houve registro de resolutividade administrativa no período analisado. Conclusões: O perfil das demandas judiciais por produtos derivados de cannabis em Alagoas evidencia um número expressivo de prescrições voltadas ao tratamento de condições como autismo e dor crônica, para as quais ainda não há evidências científicas robustas, nem respaldo consolidado em protocolos oficiais. Esse desalinhamento ressalta a necessidade do incentivo à prática da Medicina Baseada em Evidências, atualização dos prescritores e estabelecimento de fluxos regulatórios eficazes, a fim de evitar litígios desnecessários, promover o uso racional e garantir segurança terapêutica à população.

https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00333
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