Resumo
Introdução: A população trans enfrenta barreiras no acesso a serviços de saúde seguros e integrados, especialmente no que se refere à terapia hormonal, acolhimento adequado e discriminação. Para responder a essas demandas, foi implementado, em 2022, um ambulatório de transição de gênero na Clínica da Família Dr. João Fireman, em Maceió, representando um marco na inclusão dessa população com foco no monitoramento da hormonioterapia. Objetivo: Caracterizar o perfil sociodemográfico e o padrão de uso de hormonioterapia das pessoas trans acompanhadas com cuidado farmacêutico no ambulatório de transição de gênero em uma Clínica da Família em Maceió/AL. Métodos: Trata-se de um estudo descritivo retrospectivo com coleta de dados realizada por meio do acompanhamento farmacoterapêutico e registro em protocolo próprio de anamnese no período de janeiro a dezembro de 2024. Foram consideradas variáveis como identidade de gênero, faixa etária, território de residência, escolaridade, situação de trabalho, renda familiar e medicamentos hormonais utilizados. A análise contemplou dados sistematizados a partir dos atendimentos farmacêuticos realizados no consultório farmacêutico vinculado ao ambulatório de transição, fundamentada na rotina de atendimentos e nos fluxogramas de dispensação elaborados e registrados pela equipe. Resultados: Foram acompanhadas 265 pessoas trans, sendo 144 homens trans (54%) e 121 mulheres trans (46%). A faixa etária predominante foi de 20 a 29 anos, correspondendo a 144 pessoas (54,2%), e a maioria se declarou solteira, totalizando 181 pessoas (68,4%). Quanto à escolaridade, 62 pessoas (23,6%) possuíam ensino fundamental, 156 (59%) ensino médio e 46 (17,4%) ensino superior. Em relação ao trabalho, 116 pessoas (43,9%) tinham vínculo formal, 69 (25,9%) atuavam informalmente e 80 (30,2%) estavam desempregadas. A renda familiar predominante foi de 1 a 3 salários mínimos, abrangendo 122 pessoas (46,2%). A maioria residia em Maceió, totalizando 239 pessoas (90,1%), sobretudo nos bairros periféricos Jacintinho com 94 pessoas (35,4%) e Benedito Bentes com 38 pessoas (14,2%). Apenas 26 pessoas (9,9%) eram do interior do estado. As terapias hormonais mais utilizadas foram o valerato de estradiol 2 mg entre mulheres trans e a testosterona entre homens trans. Conclusões: O perfil sociodemográfico traçado aponta para um público jovem, de baixa renda e residente em áreas vulneráveis, reforçando a importância do cuidado qualificado. Diante disso, a presença do farmacêutico na equipe multidisciplinar ampliou o acesso à hormonioterapia segura e monitorada, promovendo um cuidado mais humanizado, eficaz e centrado no usuário. O fortalecimento da atuação farmacêutica no cuidado integral à população trans representa uma estratégia efetiva para garantir o acesso justo e humanizado aos tratamentos hormonais no SUS.

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