Resumo
Introdução: A artroplastia de quadril é um procedimento cirúrgico de alta complexidade, utilizado no tratamento de doenças degenerativas, fraturas e sequelas traumáticas que comprometem a articulação do quadril. Seu objetivo principal é aliviar a dor, restaurar a mobilidade e melhorar a qualidade de vida do paciente. O cuidado integrado e sequencial de ações assistenciais, através da linha de cuidado, assegura que a jornada do paciente seja conduzida de forma coordenada, segura e centrada nas necessidades dele. A Farmácia Clínica tem papel fundamental no acompanhamento do paciente, garantindo a efetividade do plano terapêutico bem como reduzindo os incidentes relacionados à cadeia medicamentosa. Objetivo: Relatar a atuação da Farmácia Clínica na linha de cuidado para pacientes submetidos a Artroplastia de quadril, em um hospital de alta complexidade. Método: A linha de cuidado iniciou em setembro de 2024, a avaliação da farmácia clínica inicia na admissão do paciente, com revisão do histórico de saúde, conciliação medicamentosa e avaliação da adesão do paciente à terapia medicamentosa, que direciona o planejamento de intervenções educativas. O acompanhamento farmacoterapêutico inclui a avaliação do plano terapêutico, evolução clínica, exames laboratoriais, reações adversas, risco para tromboembolismo venoso (TEV) e antibioticoprofilaxia cirúrgica. As informações são analisadas e discutidas durante o round multidisciplinar. Durante o processo de alta hospitalar, é realizada a reconciliação medicamentosa e, com base no planejamento educacional, o paciente recebe orientações sobre o uso dos medicamentos no domicílio e é tele monitorado pelo farmacêutico em relação à adesão ao tratamento com o anticoagulante. Resultados: Foram acompanhados 103 pacientes até julho de 2025, com diversas intervenções farmacêuticas realizadas, destacou-se, entre elas, a substituição do Tramadol 100 mg/mL de 8/8h por Nalbufina 10 mg/mL de 12/12h. Essa mudança foi motivada pela alta frequência de eventos adversos relatados, como náuseas, vômitos e tonturas, que comprometem a recuperação e a adesão dos pacientes à terapia analgésica. Esta alteração resultou em redução no número total de doses administradas e uso de medicamentos adjuvantes com menor incidência de eventos adversos e melhora na experiência do paciente. Com relação a adesão ao uso do anticoagulante pós alta a média de adesão foi de 93%, indicando um grau satisfatório do cumprimento do regime terapêutico. O tempo médio de permanência hospitalar no período pós-operatório foi de 48h, alinhado com o proposto na linha de cuidado. Conclusão: A adoção de uma linha de cuidado estruturada para pacientes submetidos à artroplastia de quadril, com atuação direta do Farmacêutico Clínico promove a segurança do paciente, eficiência assistencial e melhora nos desfechos clínicos.

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