Resumo
Introdução: No Centro Cirúrgico (C.C.) da Unimed Franca, a ausência de padronização dos kits cirúrgicos impacta diretamente
a segurança assistencial, a rastreabilidade e os custos hospitalares. Em análise amostral de 163 kits (70 itens cada), o me
lhor aproveitamento foi de 54,3% (38 itens utilizados) e o menor de apenas 2,9% (2 itens utilizados). Essa variação reflete
desperdício de insumos, aumento no retrabalho das equipes e divergências em contas hospitalares. Ao associar esses dados
aos indicadores de procedimentos por especialidade (Gastro, Ortopedia, Urologia e Otorrino) e ao porte das cirurgias (pequeno, médio e grande), foi possível mapear o perfil epidemiológico do setor e identificar o volume real de consumo por tipo de cirurgia, considerando seus respectivos custos médios por porte e especialidade. Objetivo: O objetivo deste estudo foi padronizar os kits cirúrgicos por especialidade e porte como estratégia para aumentar a segurança assistencial, reduzir desperdícios, controlar custos hospitalares, melhorar o fluxo operacional no centro cirúrgico e otimizar o uso de insumos conforme a realidade epidemiológica de cada especialidade. Métodos: O projeto envolveu a análise de 163 kits cirúrgicos, auditoria de 294 contas hospitalares (fevereiro e março) e estudo detalhado dos indicadores de produção cirúrgica. As cirurgias foram classificadas por especialidade e porte, com levantamento dos custos médios de materiais e fios cirúrgicos para cada procedimento. O trabalho foi desenvolvido com base na metodologia Lean e A3, conduzido por uma equipe multiprofissional composta pela coordenação da farmácia, coordenação de enfermagem do Centro Cirúrgico e gestor de projeto. Foram realizadas reuniões com líderes das especialidades para definir a composição mínima dos kits, considerando: Volume de consumo e índice de desperdício por cirurgia. Também foi incluída a reestruturação da Farmácia Satélite (funcionamento 24h), a aquisição e etiquetagem de materiais, e a implementação de rastreabilidade individualizada por kit. Resultados: A padronização dos kits, alinhada ao perfil de procedimentos por especialidade, projeta aumento do aproveitamento para mais de 70% e redução de até 50% nas retiradas extras por cirurgia. Com base no volume mensal médio de cirurgias por especialidade e porte, e nas taxas de desperdício atuais, estima-se economia de aproximadamente R$ 135 mil/mês. Além do ganho econômico, haveria redução de 37,5% do tempo gasto pela auditoria em conferência de contas, melhoria da previsibilidade de consumo por especialidade e elevação da segurança assistencial pela rastreabilidade completa dos insumos. Conclusões: A integração dos dados de procedimentos por especialidade, porte cirúrgico e custos médios na construção dos kits cirúrgicos possibilita uma gestão mais precisa e sustentável dos recursos hospitalares. O modelo proposto promove qualidade assistencial, sustentabilidade financeira e integração multiprofissional, sendo replicável para diferentes realidades hospitalares. Ao alinhar segurança do paciente à gestão inteligente de recursos, cria-se um padrão operacional que fortalece a eficiência e a rastreabilidade no Centro Cirúrgico.

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