PE - 002 Custos hospitalares de pessoas idosas com e sem eventos adversos a medicamentos sob a perspectiva do Sistema Único de Saúde

Palavras-chave

Análise de custo em saúde; Efeito colateral e reação adversa relacionados a medicamentos; Saúde da pessoa idosa; Segurança do paciente

Como Citar

Osuna Falavigna, L., Schiavo, G., Forgerini, M., Camila Lucchetta, R., & de Carvalho Mastroianni, P. (2026). PE - 002 Custos hospitalares de pessoas idosas com e sem eventos adversos a medicamentos sob a perspectiva do Sistema Único de Saúde. JORNAL DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA E FARMACOECONOMIA, 11(s1). https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00265

Resumo

Introdução: A maior ocorrência de eventos adversos a medicamentos (EAMs) em pessoas idosas está associada ao aumento na utilização de recursos de saúde e custos para os sistemas assistenciais. Contudo, no Brasil, há poucas evidências sobre os custos das internações nessa população com EAMs, dificultando a avaliação do impacto econômico desses eventos ao Sistema Único de Saúde (SUS). Objetivo: Estimar e comparar os custos médicos diretos de internações hospitalares de pessoas idosas com e sem EAMs, sob a perspectiva do SUS. Métodos: Foi conduzido um estudo transversal retrospectivo no Hospital Estadual Américo Brasiliense (SP) (CAAE 64663522.0.0000.5426). Foram incluídas pessoas idosas (≥ 60 anos) admitidas em clínicas médicas e unidades de terapia intensiva (UTI) por mais de 24 horas, entre fevereiro e agosto de 2022, excluindo-se aquelas internadas para a realização de procedimentos ou cirurgias eletivas. Aplicaram-se 21 rastreadores  em prontuários eletrônicos para triagem de EAMs pré-admissão e intra-hospitalares, seguida de análise de causalidade para determinar sua imputabilidade. Os custos médicos diretos, definidos como custos associados a intervenções médicas, foram estimados utilizando-se a abordagem de microcusteio do tipo bottom-up. Foram coletadas informações sobre os custos de consultas, diárias, exames de imagem, procedimentos e tratamentos a partir dos relatórios de Autorização de Internação Hospitalar (AIH). Para comparação entre os grupos, foi utilizado o teste T-student. Resultados: Das 304 pessoas idosas elegíveis, 135 apresentaram ao menos um EAM (44,4%). Em comparação àquelas que não apresentaram EAMs, pessoas idosas com EAMs utilizaram um número significativamente maior de medicamentos durante a internação (27 ±10 vs 17 ±8 p < 0,001) e permaneceram internadas por mais dias (16 ±12 vs 9 ±6 dias; p < 0,001). Os EAMs mais frequentes foram: sonolência induzida por benzodiazepínicos e opioides, lesão renal aguda induzida por diuréticos, delirium induzido por opioides, hiperglicemia induzida por corticosteroides e hipoglicemia induzida por insulina. Em comparação às pessoas idosas sem EAMs, aquelas com EAMs apresentaram custos mais elevados de internação tanto em clínicas médicas (R$1.965,62 vs R$1.021,83, p = 0,002) quanto em UTI (R$6.179,06 vs R$4.154,83, p = 0,020). Com relação aos componentes de custos, observaram-se maiores gastos com consultas (R$118,47 vs R$68,32, p <0,001), diárias (R$2.387,81 vs R$1.086,82, p <0,001) e exames de imagem (R$178,25 vs R$115,82, p = 0,007) no grupo com EAMs. Conclusões: Sob a perspectiva do SUS, pessoas idosas admitidas em clínicas médicas que apresentaram EAMs geraram custos duas vezes maiores em comparação àquelas que não apresentaram esses eventos. Entre as pessoas idosas internadas em UTI, os custos foram aproximadamente 50% superiores na presença de EAMs. Esses achados podem contribuir para o direcionamento mais eficiente de recursos humanos e financeiros para a detecção, manejo e minimização desses eventos.

https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00265
Creative Commons License
Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.

Copyright (c) 2026 Luiza Osuna Falavigna, Geovana Schiavo, Marcela Forgerini, Rosa Camila Lucchetta, Patrícia de Carvalho Mastroianni