PE - 107 Granulomatose com Poliangiite no Brasil: Análise de Perfil Sociodemográfico de Pacientes Ambulatoriais do Sistema Único de Saúde

Palavras-chave

Granulomatose com poliangiite; Demografia; sistema único de Saúde; Estudo observacional

Como Citar

Braga Lemos, M., Barcelos, Y., & José Defante, M. (2026). PE - 107 Granulomatose com Poliangiite no Brasil: Análise de Perfil Sociodemográfico de Pacientes Ambulatoriais do Sistema Único de Saúde. JORNAL DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA E FARMACOECONOMIA, 11(s1). https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00357

Resumo

Introdução: A Granulomatose com Poliangiite (GPA) é uma vasculite rara, necrosante e autoimune, que acomete 3/100 mil indivíduos (1). O rastreio da doença é imprescindível para planejamento clínico e de políticas de saúde, uma vez que sua baixa prevalência impõe desafios na aquisição de informações. O uso de dados secundários qualifica a gestão e auxilia nas tomadas de decisões na saúde pública. Objetivo: Avaliar as características sociodemográficas de pacientes adultos com GPA que receberam atendimento ambulatorial no Sistema Único de Saúde (SUS). Métodos: Um estudo transversal, qualitativo e descritivo foi realizado em pacientes com GPA (CID-10: M31.3) com registro de atendimento ambulatorial no Sistema de Informações Ambulatoriais (SIA/SUS), entre janeiro de 2015 e dezembro de 2024. Avaliou-se total de pacientes, incidência de recém diagnosticados, idade, gênero e região geográfica de atendimento. Resultados: Um total de 1.690 pacientes com GPA foram identificados, dos quais 1.223 iniciaram tratamento no período (65% do sexo feminino, idade média 49,51). Nos últimos 10 anos, houve uma frequência maior de novos casos em mulheres, principalmente em 2023, ano com maior discrepância na proporção dos registros em termos de gênero (119 mulheres, 67%). O pico de novos pacientes diagnosticados foi em 2023 (178 registros, taxa de incidência ajustada pela idade de 8,4/100 mil habitantes), enquanto o menor número foi em 2020 (72 registros, taxa de incidência ajustada pela idade de 3,4/100mil habitantes). A maioria dos atendimentos ambulatoriais ocorreu no Sudeste (782 registros, 64%), seguida pelo Sul (180 registros, 14,73%), Centro-Oeste (140 registros, 11,48%), Nordeste (98 registros, 8,02%) e Norte (22 registros, 1,8%). Destaca-se esta última, que apresentou o menor número de registros de pacientes com GPA durante o período (menos de 2% dos registros totais), sem valores observados para 2021 e 2022. Todas as regiões apresentaram queda nos registros de pacientes entre 2020 e 2023, exceto o Nordeste. Conclusões: O diagnóstico e incidência de GPA foram mais frequentes em mulheres, com idade média de 49 anos (2). Embora a etiologia da doença seja desconhecida e possivelmente multifatorial, a incidência no Brasil se assemelhou à de países em desenvolvimento, como Argentina, e foi superior à de países desenvolvidos, como França e Estados Unidos (2–4). Observou-se uma lacuna de registros nas regiões Norte e Nordeste, evidenciando desigualdades geográficas e socioeconômicas, além das limitações de atualização, disponibilidade e qualidade dos dados do SIA/SUS. Esses fatores indicam a necessidade de ações que busquem sanar as barreiras e melhorar o acesso à saúde pública.

https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00357
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