Resumo
Introdução: As bactérias do gênero Enterococcus são cocos Gram-positivos, catalase-negativas, dispostos em pares ou cadeias curtas, distribuídos na natureza e no trato gastrointestinal de humanos e animais. Embora comensais da microbiota intestinal humana, podem ser patogênicos.1 Sua presença em ambientes aquáticos indica contaminação fecal, refletindo impactos antropogênicos, como despejo de efluentes industriais, esgoto e atividades agropecuárias. Sua relevância clínica se destaca pelo alto índice de resistência a antimicrobianos (RAM), que ocorre quando microrganismos desenvolvem mecanismos que os tornam resistentes a medicamentos, reduzindo sua eficácia.2 Diante desse desafio, a abordagem One Health (Saúde Única) foi implementada, reconhecendo a interconexão entre a saúde humana, animal e ambiental. Objetivo: O presente estudo teve por objetivo avaliar o perfil de susceptibilidade de Enterococcus isolados de ambiente aquático submetido a influência antropogênica no sul do estado do Espírito Santo. Material e Método: Trata-se de uma pesquisa de campo de caráter exploratório, em que foram realizados a definição de amostragem e coleta das amostras em ambientes aquáticos em cidades do Sul do Espírito Santo; ativação e isolamento das amostras em Cultura bacteriana em Chromagar Orientation®; identificação morfotintorial (Coloração de Gram) e bioquímica (Bile Esculina e NaCl); avaliação da susceptibilidade aos antimicrobianos por disco difusão e leitura do antibiograma utilizando BrCast e CLSI. Resultados e Discussão: Foram isoladas 24 amostras, coletadas de 6 pontos diferentes. Os resultados obtidos nessa pesquisa demonstram que todas as amostras analisadas apresentaram resistência a pelo menos um dos antimicrobianos testados. Os pontos de coleta P.5, P.1 e P.3, apresentaram a maior taxa de resistência. Ciprofloxacino, Cloranfenicol e Gentamicina, obtiveram perfil de resistência de 8,33%, 8,70% e 12,5%, respectivamente. Já Eritromicina e Nitrofurantoína apresentaram cerca de 30- 40% de amostras resistentes. Os resultados mais alarmantes referem-se à resistência à Ampicilina (41,67%), Penicilina (69,57%) e, principalmente, Vancomicina (37,5%). O surgimento do Enterococcus multirresistente tornou-se uma grande ameaça à saúde pública, pois limitou os agentes antimicrobianos eficazes disponíveispara tratar infecções.3 A primeira cepa de VRE recuperada de efluente tratado no Brasil foi relatada em 2023.4 Os Enterococcus resistentes à Vancomicina (VRE) representam um problema de relevância global, uma vez que a Vancomicina constitui uma das principais opções terapêuticas para o tratamento de infecções causadas por Enterococcus.5 Conclusões: Conclui-se, portanto,
que os ambientes aquáticos submetidos à influência antropogênica na região Sul do Espírito Santo são reservatórios de cepas de Enterococcus resistentes à antimicrobianos, inclusive VRE, representando riscos à saúde pública. Manter a qualidade da água por meio de parâmetros microbiológicos é essencial para prevenir contaminações e proteger a população.

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