PE-36 Propriedades bioativas do pólen de melipona capixaba: composição química, atividade antioxidante e anti-inflamatória in vitro
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Palavras-chave

Citocinas
Citotoxicidade
Espectrometria
Flavonoides

Como Citar

Flegler Silva, G., Soares Pessoa, I., Pinheiro Cruz Bergamini, A., Cruz dos Santos, T., Gama Matos, R., & Fronza, M. (2025). PE-36 Propriedades bioativas do pólen de melipona capixaba: composição química, atividade antioxidante e anti-inflamatória in vitro. JORNAL DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA E FARMACOECONOMIA, 10(s1). https://doi.org/10.22563/2525-7323.2025.v10.e00211

Resumo

Introdução: O pólen tem grande potencial biológico e medicinal, porém estudos sobre o pólen das abelhas sem ferrão ainda são
limitados. O Brasil é lar da maior diversidade de abelhas sem ferrão, sendo a Melipona capixaba endêmica do Espírito Santo.
Essas abelhas armazenam o pólen em potes de cerume, onde ele é acrescentado com mel e enzimas e fermentado por micro-
-organismos, tornando-se mais digerível. Objetivo: Avaliar a composição química, atividade antioxidante e anti-inflamatória do
pólen de pote de M. Capixaba. Material e Método: Amostras de pólen de M. capixaba foram coletadas em três municípios do

Espírito Santo, e os extratos hidroetanólicos correspondentes foram preparados e identificados como P1, P2 e P3. A identifica-
ção dos compostos bioativos foi feita por Espectrometria de Massas (ESI-FT-ICR MS). O teor de flavonoides foi determinado pela

reação com o cloreto de alumínio e comparados com o equivalente de quercetina (QE), os fenólicos e taninos pelo método Folin-
-Ciocalteau e comparados com o equivalente de ácido gálico (EG). A atividade antioxidante (AAO) foi analisada pelos métodos
colorimétricos DPPH e ABTS, a viabilidade celular pelo método MTT em macrófagos (RAW), fibroblastos (L929) e melanoma

(MV3). A inibição do ânion superóxido (O2•-), óxido nítrico (NO) e das citocinas IL6 e TNF-α foram avaliadas em RAW esti-
muladas por Lipopolissacarídeos (LPS). Resultados e Discussão: O extrato P3 se destacou com a maior atividade antioxidante

entre os três, tanto no teste ABTS (13,7 ± 2,5 μg/mL) quanto no DPPH (40,3 ± 11,5 μg/mL). Em relação à citotoxicidade,
nenhum dos extratos mostrou toxicidade nas linhagens RAW e MV3. No entanto, todos apresentaram citotoxicidade para a
linhagem L929, a partir de 50 μg/mL para P2 e P3, e de 150 μg/mL para P1. A análise da produção de O2•- revelou efeito
redutor dos extratos em todas as concentrações testadas. No entanto, os resultados não foram significativos para o NO. Já em
relação à produção de IL-6, observamos reduções importantes com P3 a 10 μg/mL e com P2 e P3 a 20 μg/mL. Além disso,
na redução de TNF-α, o P3 foi o mais eficaz, apresentando maior efeito inibitório na concentração de 20 μg/mL. A amostra
P3 se destacou na composição química, apresentando os maiores teores de flavonoides (10,74 ± 1,21 g QE/100g), fenólicos
(10,70 ± 0,66 g EG/100g) e taninos (8,91 ± 0,88 g EG/100g). No total, foram identificados 50 compostos já conhecidos em
produtos de abelhas sem ferrão — com destaque para kaempferol, isorhamnetina e quercetina. Conclusões: Esse é o primeiro

estudo a revelar a composição química e as propriedades bioativas dos extratos de pólen da M. capixaba. Os resultados mos-
traram que esse pólen tem um bom potencial para neutralizar espécies reativas de oxigênio e reduzir mediadores inflamatórios

em ambiente controlado (in vitro). Essas descobertas abrem caminho para futuras regulamentações e valorização de produtos
derivados de abelhas sem ferrão no Brasil — um mercado com enorme potencial ainda pouco explorado.

https://doi.org/10.22563/2525-7323.2025.v10.e00211
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