Resumo
Introdução e objetivos: O abuso prolongado de álcool está relacionado à morbidade e mortalidade de várias doenças. De acordo com a OMS, o uso nocivo de álcool contribui para 3,3 milhões de óbitos anuais, representando 5,9% das mortes globais. No Brasil, a dependência alcoólica afeta predominantemente homens jovens, resultando em mortes precoces evitáveis. A síndrome de dependência alcoólica é a principal causa de morte nesse grupo.3 Contudo, este estudo visa analisar a mortalidade e as internações hospitalares relacionadas ao consumo de álcool no Espírito Santo, identificando tendências temporais, perfis socio-demográficos mais afetados e a taxa de mortalidade após internações. Material e Método: Foi realizado um estudo descritivo e ecológico, abrangendo o período de 2010 a 2022, utilizando dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As informações sobre internações foram obtidas do Sistema de Informações Hospitalares (SIH), e os dados de mortalidade, do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). Foram considerados os óbitos e internações com diagnóstico relacionado a transtornos mentais e comportamentais devido ao álcool, classificados pela CID-10 (código F10). Resultados e Discussão: Entre 2010 e 2022, foram registrados 2.579 óbitos relacionados ao consumo abusivo de álcool, com 2.216 causados pela síndrome de dependência alcoólica (F10.2). O maior número de mortes ocorreu em 2021, com um aumento significativo entre 2020 e 2022, possivelmente devido à pandemia. A faixa etária mais afetada foi de 45 a 54 anos, com predominância masculina (87,98%) e estado civil solteiro (43,11%). Foram registradas 11.004 internações, sendo 6.983 por transtornos psicóticos devido ao álcool (F10.5). A maioria dos pacientes era do sexo masculino (87,20%), com 16,24% de brancos. A faixa etária mais afetada foi de 35 a 54 anos, e a região metropolitana teve as maiores taxas de internação. O custo total foi de R$6.258.214,36, com maior número de internações na região Sul do estado. Apenas 48 óbitos ocorreram entre os internados com transtornos mentais e comportamentais relacionados ao consumo de álcool. Os resultados deste estudo confirmam a gravidade do problema de saúde pública relacionado ao consumo abusivo de álcool no Espírito Santo, evidenciando a necessidade de intervenções urgentes. A predominância de óbitos entre homens, o aumento durante o período pandêmico, e as implicações socioeconômicas ressaltam a complexidade da questão e a importância de uma abordagem multidisciplinar para enfrentá-la. Conclusões: Os dados analisados evidenciam que o consumo abusivo de álcool no Espírito Santo entre 2010 e 2022 teve um impacto significativo na mortalidade, internações e custos hospitalares. A alta carga econômica e social reforça a urgência de políticas públicas eficazes para prevenção e tratamento do abuso de álcool.

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