Resumo
Introdução: A resistência microbiana é uma das maiores preocupações globais em saúde pública, o que gera consequências, como o aumento da taxa de mortalidade, internamento prolongado e ineficácia dos tratamentos já existentes, estando diretamente relacionado ao uso indevido de antimicrobianos, programas de controle de infecção/gerenciamento inadequados ou inexistentes, vigilância ineficiente e falta de protocolos clínicos assistenciais que direcionem condutas. Por sua vez, o Antimicrobial Stewardship Program (ASP) envolve um conjunto de ações destinadas ao controle do uso de antimicrobianos, englobando diagnóstico, seleção, prescrição e dispensação adequadas, boas práticas de diluição e administração, além de auditoria e monitoramento das prescrições, a fim de adotar medidas intervencionistas que possam assegurar resultados terapêuticos ótimos com mínimo risco potencial. Objetivos: Caracterizar o perfil epidemiológico dos microrganismos mais prevalentes na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP), sítio de infecção, duração do tratamento e fármacos mais prescritos, que devem nortear tanto terapias empíricas como otimizar a terapia curativa. Além disso, realizar ações intervencionistas de indicação, efetividade, segurança para o paciente e ações de farmacoeconomia, quando possível. Métodos: Após realizado o estudo microbiológico dos patógenos mais comuns e seu padrão de sensibilidade na UTIP, foram utilizados uma ferramenta de Problemas Relacionados ao Uso de Antimicrobianos (PRAT) e um formulário desenvolvido pela farmacêutica clínica da unidade a fim de caracterizar o perfil epidemiológico, monitorizando resultado de culturas e tempo de tratamento. Resultados: Foram acompanhados 45 pacientes com infecção no período de junho/22 a setembro/22. Os focos mais encontrados foram pulmonar e traqueíte. Os microrganismos mais prevalentes foram S.aureus e P. aeruginosas, majoritariamente multissensíveis. Com isso, havendo maior possibilidade do uso de antibióticos com espectro menor. O tempo de tratamento tem sido predominantemente por 7 dias (37%). A maior parte dos desfechos foram de melhora clínica e cura, sendo os óbitos mais relacionados às doenças de base do que por choque séptico. Foram realizadas 83 intervenções pela farmacêutica do ASP, a coordenadora médica da UTIP e a infectologista, respectivamente, demonstrando a importância do farmacêutico clínico no time. Destacam-se que as intervenções relacionadas à indicação (43%) foram as mais prevalentes. As classes que sofreram mais intervenções foram penicilinas e cefalosporinas, sendo que os principais problemas relacionados ao uso de antimicrobianos foram: medicamento desnecessário, farmacoterapia não adequada e dose prescrita. Conclusão: Após a criação do ASP, a unidade teve ganhos significativos, não somente relacionados à resistência bacteriana, quanto aos desfechos e custos, bem como agilidade de condutas com méritos do laboratório de microbiologia.

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