Perfil de hospitalização e fatores associados a Eventos Adversos de Interesse Especial após vacinação para COVID-19 em um hospital universitário da Bahia, Brasil
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Como Citar

Souto Figueiredo Nepomuceno, A. F., Almeida de Queiroz, L., Santos Gama, R., Noblat de Carvalho Santos, G., & Kister de Toledo, L. A. (2023). Perfil de hospitalização e fatores associados a Eventos Adversos de Interesse Especial após vacinação para COVID-19 em um hospital universitário da Bahia, Brasil . JORNAL DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA E FARMACOECONOMIA, 1(s.2). https://doi.org/10.22563/2525-7323.2022.v1.s2.p.26

Resumo

Introdução: Diante do quadro pandêmico complexo imposto pela COVID-19, um esforço internacional foi realizado para o desenvolvimento de vacinas eficazes e seguras. Com isso, em tempo recorde, as primeiras vacinas contra o SARS-CoV-2 foram aprovadas para uso emergencial no país em 2021. Apesar da segurança comprovada em estudos clínicos, existem informações que só podem ser elucidadas com estudos de farmacovigilância. Dessa forma, monitorar o perfil de pacientes hospitalizados por Eventos Adversos de Interesse Especial (EAIE) torna-se pertinente. Objetivo: Descrever o perfil de hospitalização e fatores associados a EAIE em um hospital universitário da Bahia. Métodos: Estudo transversal, retrospectivo, descritivo, com abordagem quantitativa, realizado através da análise das hospitalizações por EAIE. Foram incluídos neste estudo pacientes hospitalizados durante o período de 18 de janeiro de 2021 a setembro de 2022 com diagnóstico confirmado de trombocitopenia, trombose, encefalite/meningoencefalite, trombose com trombocitopenia, pericardite, miocardite e Guillain Barré. As variáveis número de óbitos, tipo de EAIE, sexo, uso de medicamentos prévios, hábitos de vida, tipo e número de doses da vacina contra COVID-19 foram estudadas. O teste Qui-quadrado foi empregado para verificar a possível associação entre EAIE e as variáveis bivariada. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Professor Edgard Santos, sob o parecer 4.465.789. Resultados e Discussão: Foram registradas 465 notificações de EAIE ao longo do período. Observou-se maior frequência em indivíduos do sexo feminino (61,1%), com doenças prévias (76,3%), e em uso de medicamentos (66,7%). Quanto aos hábitos de vida, 11,2% dos pacientes eram tabagistas, 25,8% etilistas e 1,9% faziam uso de outras drogas. Desses pacientes, 3,2% foram a óbito. Observou-se maior ocorrência de internamento por trombose (91,2%), e em menores proporções trombocitopenia (3,7%), encefalite/meningoencefalite (2,2%), trombose com de trombocitopenia (1,1%), pericardite (0,9%), Guillain Barré (0,9%) e miocardite (0,2%). É importante salientar que o EAIE trombose engloba diversos agravos, como acidentes vasculares cerebrais, e tem se destacado um importante EAIE em todo o mundo, entretanto, sua elevada prevalência também pode estar associada a hábitos de vida e fatores de risco já estabelecidos. Quanto à vacinação, 84,09% dos pacientes receberam a primeira, 73,55% a segunda, e 37,85% a terceira dose. A maioria recebeu a vacina da Astrazeneca (37,18%), Pfizer (32,67%), Coronavac (27,62%) e Janssen (2,09%). Conclusão: Nossos resultados apontaram possível associação de EAIE com sexo feminino, doenças prévias, uso de medicamentos, uso de tabaco, álcool e drogas (p<0,05). Ademais, estudos robustos e a longo prazo devem ser conduzidos para que a causalidade entre a vacinação contra COVID-19 e EAIE sejam adequadamente estabelecidas. 

https://doi.org/10.22563/2525-7323.2022.v1.s2.p.26
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